MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

Sonetos Ingleses

por

Carmo Vasconcelos

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CUMPRA-SE!
Carmo Vasconcelos


A Deus em prece havemos de invocar,
para que os laços que almejamos castos,
nos entrelacem, puros, sem causar
gáudios do demo, ao nosso amor nefastos.

Grades doiradas tua prisão terá,
tuas algemas serão, do meu derriço
o mel que por teu bico escorrerá
toda vez que provares meu feitiço.

Meu prisioneiro, quero-te insaciado,
jamais, de mim, desejo satisfeito,
senhor e rei, de ceptro alevantado,
por quem suspira a escrava no seu leito.

Escravo, rei, ou colibri plumado,
veste um poema e vem cumprir teu fado!

Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal - 11/Fevº/2011
(In Divagações Poéticas com o Poeta Zéferro)

 

 

 

 

DESVAIRADA ILUSÃO
Carmo Vasconcelos


Perdoa, amor, se não te percebi,
Tão cega ainda dum amor antigo,
Toquei-te a sombra, teu vulto perdi,
E tu, sonhando, alçavas-me contigo.

E até sentias meu breve estremecer,
Fruto da tua desvairada ilusão,
E o meu beijo era apenas teu querer,
Miragem desse oásis da paixão.

Vês meus detalhes com olhos de amor,
Meu corpo endeusas - eu, simples mortal!
Quem sabe um dia tu serás beija-flor
E eu a flor desse néctar divinal...

Talvez em teu refúgio amadureça
A flor-orgia que a ambos estremeça...

Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal - 29 de Agosto/2010
(In Divagações Poéticas com o Poeta Zéferro)

 

 

 

 

EU TAMBÉM SOU DOMINADA
Carmo Vasconcelos


Não sei de nós dois qual o dominado
quando na mesma cama só um somos
ao se evolar o quente mel dourado
de nossa polpa em já sorvidos gomos.

Tal como o sol atiça a flor no prado,
a força erótica que acesa pomos
no partilhar do amor apaixonado,
vive a atiçar-nos em sensuais assomos.

E ardemos nesse fogo alucinado,
até esquecermos tudo que já fomos,
quando, sedento, teu bico endiabrado
desfolha a rosa e bebe de seus pomos.

Porque se eu tenho a rosa inesgotável,
tu tens o bico ardente e insaciável!

Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal - 17 Novº/2011
(Em dueto com o Poeta Zéferro)

 

 

 

 

MÚTUA VENTURA
Carmo Vasconcelos


Feliz a musa que em teus braços se reclina
qual sonho alado que ao Parnaso ambos transporta,
dossel de penas, almofada em pele fina,
onde se esvai de amor e gozo, quase morta.

Feliz da poeta que te elege o seu senhor,
e se te of'rece como dádiva pagã,
longe de Deus, virtude exposta ao despudor,
dada ao pecado, em lautos hinos a Satã.

Feliz da flor que deslumbrada com teu cheiro,
abre-se nua para aceitar o teu querer,
e ímpar de orvalho dessedenta o forasteiro
que traz nas asas sede e fome de prazer.

Que eu seja a musa, a flor, a poeta de ti eleita,
Que na Ventura tua, s’eleva e se deleita!

Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal - 10/Setº/2011
(In Divagações Poéticas com o Poeta Zéferro)

 

 

 

 

 

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