MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

por

Carmo Vasconcelos

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TRAZES ROSAS NO PEITO...
Carmo Vasconcelos


As rosas que pretendem renascer
Desse teu peito eivado de agonia,
Não hão-de ter espinhos de doer,
Serão de paz e amor - doce enxertia!

Revolveu-se a terra em ressurreição;
De lágrimas e mágoas se inundou;
E pra rosas gerar no coração,
Em dor, de turvas águas se apartou!

Dum solo saturado de amarguras,
Cansado do germínio em solidão,
Foram-se os vermes de índoles escuras!

E agora, novos germes já intentam
Reflorir-te a mente, alma e coração...
Traves mestras das forças que sustentam!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 19/Março/2009

 

 

 

 

UM NADA DE PÓ...
Carmo Vasconcelos


É, no Universo, pálida centelha
A minha voz, aos céus pedindo Graças,
Não mais que vibrações meras e esparsas,
Dos poros expelida a dor que engelha!

Impõe-se o mar com úrgicos bramidos!
Sopra o vento em pungentes remurmúrios!
Eclodem os vulcões chispando augúrios!
Clamam almas e corpos em gemidos!

E eis-me aqui, implorando - mero grão
Que em fútil e arrogante pretensão,
Ousa chamar pra si a primazia...

Se um nada sou de pó... que em sintonia
Com a terra, a urze, o riacho e a semente,
Deve irmanar-se ao Todo, humildemente!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - Julho/2007

 

 

 

 

UNIDA À DOR DO CRISTO
Carmo Vasconcelos


Só me restava, em lágrimas, orar...
Prostrada a um canto, ouvir o despudor
Dos ímpios que, em sarcasmo, o Redentor
Arrastavam, sem dó, a crucificar!

Eram tormentos Seus o meu martírio,
Contra os algozes, minha vã revolta!
E, na vontade de os matar, à solta,
Pecava também eu nesse delírio!

Da carne viva em chaga, era o meu sangue
Que emergia; e aos do Cristo equalizados,
Eram meus pés e mãos os perfurados!

Ante a Virgem que olhava o Filho exangue,
Morrer com Ele, era a ânsia que eu sentia...
Ignorando a ALELUIA que adviria!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 10/Abril/2009
(Em *Sexta-feira Santa*)

 

 

 

 

VÉRTICE
Carmo Vasconcelos


Como não ter eu sonhos verdes e floridos,
Se, mesmo insone, é de esperança a cor fluente...
Desde a manhã, pela tardinha, e ao sol poente,
Teus eloquentes ais, nos meus entretecidos;

Se és do meu casto amor o eleito paladim,
Doirado vértice do sonho idealizado,
Da luminar montanha, o topo alcandorado,
Do êxtase pleno, o deleitoso varandim?

Como não ires junto a mim no sonho alado
Onde as quimeras são plausíveis e palpáveis,
Isentas de elos e tabus incontornáveis;

Se é no fugaz enlace onírico alcançado
Na indefinível dimensão de morte ou vida,
Que o nosso amor se faz paixão embevecida?

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 3/Agosto/2008

 

 

 

 

VIDAS PASSADAS
Carmo Vasconcelos


Amor meu! Que saudade imensa sinto
Dos inefáveis séculos passados,
Quando envoltos em cheiros de jacinto
Valsávamos os dois, enamorados!

Vinha esse odor das áleas perfumadas
E das densas alfombras de alvo manto,
Que escondiam nossas bocas abrasadas
Pla chama acesa e rúbea d’amor tanto!

Quanto deleite nesse encantamento,
Que me enlevava só por ter-te perto
E da minha, sentir-te alma-metade!

E agora, separados, que tormento!
Por triste, o viver nosso, tão incerto...
Traz ânsias de voltar à eternidade!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 17/Novº/2008

 

 

 

 

 

 

LIVRO DE VISITAS

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