MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

por

Carmo Vasconcelos

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SONETO AVENTUREIRO
Carmo Vasconcelos


Dizes pra mim soneto aventureiro
Procuro responder-te em poesia
Realizando-me com a fantasia
De aí sentir-te todo por inteiro

Teus versos de poeta apaixonado
Fazem correr neste meu sangue alento
Trazem-me de ti calor e sustento
Que arde em mim como um fogo ateado

Plena de sonho e desejo preso
Na cor vermelha deste amor aceso
Invento-me em palavras que tu leias

Quero saber-te a vislumbrar minh’ alma
Livre e nua da ponderada calma
Para ter-te enleado em minhas teias

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2005

 

 

 

 

SONETO PARA UMA VOZ
Carmo Vasconcelos


Agora estou mais só do que ante estava
Quando essa tua voz não existia
Quando na morna calma em que vivia
Teu quente e doce amimar ignorava

Agora me consumo dia a dia
Por a esperar desesperadamente
Eu fogo morto, lenha que dormia
Atiçada por ti tão de repente

Enquanto nossas bocas não se beijam
Nossos corpos não são lareira ardente
Dá-me desse licor e me inebria

E até que nossos sonhos reais sejam
Dá-me corpo e alma loucamente
Na voz que só de ouvi-la me despia!


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2004

 

 

 

 

SONHEI-TE, AMOR
Carmo Vasconcelos


Sonhei-te, amor, à minha cabeceira!
Tu, em delírio, versos exalavas,
Enquanto eu me transpunha à era primeira
Em que no Éden comigo tu brincavas.

Éramos anjos puros e louvados,
A desfrutar das harpas sons divinos
Na paz celeste dos desencarnados,
Sem memória de sermos peregrinos.

Soada a hora d’ansiada volta à Terra,
Vestida a carne impura, que sempre erra,
O nosso reviver fez-se tristonho...

Dum terno enlevo fomos apartados,
Para missões longínquas destinados,
E hoje só vive, o nosso amor, do sonho!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 29/Junho/2007

 

 

 

 

SONHO VELHO
Carmo Vasconcelos


Não assustes este sonho que remoça
Lentamente no meu árido caminho
E que no teu peito com mel que o adoça
Anda ternamente construindo o ninho

Fala baixo meu amor e de mansinho
Deixa qu’ ele repouse em nuvens de algodão
Não vá que de susto fuja o pobrezinho
Abandonando meu ninho de ilusão

Não assustes este sonho que apetece
Como lua cheia em noite enevoada
Ou água fresca no estio que entontece

Que deste meu velho sonho a alvorada
É deitar em ti a vida que esmorece
Se aninhando em tua cálida morada


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 1997

 

 

 

 

TERRA DE NINGUÉM
Carmo Vasconcelos


Sei dum espaço, algures, quieto e mudo,
Um vale de silêncio sufocado;
Lugar aquém do sonho que, gorado,
Se contorce como ícone de entrudo!

Terreno de despejo de ilusões;
Corredor de fantasmas do passado;
Antro onde se recolhe o Ego, assustado,
Tremente como sismo em convulsões!

Solo morto, assombrado de lembranças,
Onde, em rompante, fez morada a seca...
E na aridez, por viva, a mente peca!

Foi-se o tempo irisado de bonanças...
E as sementes da flor d’amor, também,
Abortaram na terra de ninguém!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 23/Maio/2009

 

 

 

 

 

 

LIVRO DE VISITAS

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