MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

por

Carmo Vasconcelos

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REENCONTRO
Carmo Vasconcelos


As palavras se fazem meras gotas
Dum elixir sublime e já provado
Antes de ora sentir-te e ter tocado
Mais que o corpo tuas vidas remotas

Foi lá que te toquei a vez primeira
Com vestes de guerreiros ou de santos
Quem sabe Madalena em castos prantos
Ou Messalina impura feiticeira

Só sei que desde sempre te conheço
Que o teu toque sensual reconheço
E o cheiro do teu mar já naveguei

E que as palavras são de menos dar
À divina grandeza deste amar
Um reencontrado ser que sempre amei


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2006

 

 

 

 

RENEGO-TE, TRISTEZA!
Carmo Vasconcelos


Não há ninguém nem cousa que destrua
Esta alegria que, inata, em mim aflora!
Foi-me insuflada numa santa aurora
Ânima que a Deus rogo: sempre flua!

Vejo a tristeza tal um passarinho
A voar sem rumo, de asa derrubada,
Porque o seu ninho ruíu em derrocada,
Prostrando os filhos mortos no caminho.

Enquanto sustiver Deus a minh’asa,
Meu caloroso ninho em pouso certo,
Meus filhos junto a mim, coração perto...

A tristeza não há-de vir-me a casa!
E até na minha viagem derradeira,
A alegria terei por companheira!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 30/Abril/2009

 

 

 

 

SE AMOR É...
Carmo Vasconcelos


Se amor é fogo que arde sem se ver,
E senti-lo se faz contraditório...
Sendo ou não, fogo fátuo e ilusório,
Por que tanto queimamos de o querer?

Se é ferida que dói e não se sente,
Por que insistimos nessa dor sarar,
Vendo apenas recobro nesse amar
Daquele que de amor nos faz contente?

Se tal contentamento é descontente,
Por que alegria tamanha lá se afunda
Nos meandros da tristeza que a alma inunda?

Se é dor que desatina sem doer,
Que eu frua do controverso amor em mágoa,
E extinga-se o meu fogo ao fluir-lhe a água!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 02/Maio/2008

 

 

 

 

SENTIMENTOS
Carmo Vasconcelos


Vigília de inquietude e desespero
É este madrugar sem ter dormido
Este silêncio agudo e o ruído
Que ecoa dentro em mim porque te quero

Como a grandeza morre ou se atrofia
No eco que se perde sem falarmos
Do quanto nos aflige… Ao nos calarmos
Por medo ou por fútil cobardia

Por que os sentimentos sufocar
Sem dó emudecer seu enlear
Cortando-lhe o enredo, as gavinhas

Só pedem liberdade de avezinhas
De rio a cantar para a sua foz…
Não lhes cortes as asas nem a voz!


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2006

 

 

 

 

SÓ PARA TI!
Carmo Vasconcelos


Nascidos só pra ti, vivem meus poemas,
Meus loucos versos, inda que ilegíveis;
As minhas prosas, de ânsias e dilemas,
Meu canto em serenatas inaudíveis!

Só pra ti, minha pena é uma aventura,
Navio, jangada e trem, pulsão sentida;
Chegada, abraço, colo de ternura,
Asa e balão em fuga, despedida!

E tu... por outra sofres e suspiras,
Alheio a que eu, amorosa, te namoro,
Gritando o meu desejo em desaforo!

Por ainda lembrar-te, é este meu choro...
Como o sol - o astro-fogo - tu me inspiras!
E eu quero ser da lua a luz que aspiras!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 10/Junho/08

 

 

 

 

 

 

LIVRO DE VISITAS

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