MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

por

Carmo Vasconcelos

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INSANIDADE
Carmo Vasconcelos


É por ti, meu amor, que eu me seguro,
Vagueando indecifrável por aqui,
Ecos de amor calando, só por ti!
Meu arriscado salto em chão escuro!

Pla nesga da palavra iluminada,
Clareia esse teu rosto, olhos e boca,
Vislumbro essa figura que me toca,
E fujo de mim mesma, alucinada!

Lábios pejados de sensualidade,
Sufocam-me, oh! bendita insanidade
Que sonha o teu beijar ao meu unido!

Corro pra ti, montada num gemido,
De raiva por de mim ter te roubado
Neptuno... Sem que eu tenha te abraçado!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 22/Julho/2007

 

 

 

 

INSPIRAÇÃO
Carmo Vasconcelos


Inspiração donzela caprichosa
E rogada se muito a desejamos
Vem de oferecida quando a não esperamos
E a nossa mente enleia ardilosa

Dengosa qual serpente que rasteira
Silvando de mansinho e de surpresa
Velada e envolvente nos faz presa
Com sua sedução de feiticeira

Enreda-nos nas malhas da paixão
Suga-nos alma corpo e pensamento
Esvai-se-nos exangue o coração

Não há como fugir desse momento
Furtar-se ensurdecer ou dizer não
Rendidos ao seu doce encantamento

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2006

 

 

 

 

IRISADO
Carmo Vasconcelos


Momentos se assemelham não iguais
Díspares no sentir e na emoção
Gravando cada um no coração
As cores irisadas dos cristais

Delas emergem prosas e poemas
Desabafos lilás e violeta
Renúncias conducentes ao asceta
Temente do amor e seus dilemas

Mas se ao verbo se abre o azul do véu
Num grito que acha eco no seu céu
Irrompem chuvas brancas de jasmim

Irisadas se evolam rima ou prosa
Cravo-carne que penetrando a rosa
Põe no cristal a cor do amor sem fim


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2006

 

 

 

 

JURA
Carmo Vasconcelos


Quantos corpos já vestiste alma minha?
Quantas vidas carregas na bainha?
Decerto não viveste inda o bastante
Porque te sinto à toa d’ ignorante

E nessas vivências que percorreste
Que lições tu deveras aprendeste?...
Se nesta vida eivada de prazeres
Tantos erros te vejo cometeres

Qu’este meu fraco corpo não te afaste
Das missões que precisas alcançar
E que pla impureza não te arraste

Possa ele ter forças pra lutar
Que rumo ao alto juro te levar
Se Deus me conceder vida que baste


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 1997

 

 

 

 

LIBERTAÇÃO
Carmo Vasconcelos


Um monarca por amor tornou cativa
Uma jovem princesa em cela plebeia
Numa ilha inóspita, primitiva
Calando nela os sonhos em ideia

E durou seu cativeiro longos anos
Resistindo a princesa estoicamente
A torturas, solidão e mais enganos
Sufocando gritos, coração e mente

Mas certo dia o monarca pereceu
Derrotado numa batalha sem tréguas
Que da vida e do poder o despojou

E então por entre despojos, pó e névoas
Um passarinho achou no meio do breu
A chave que a princesinha libertou


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 1996

 

 

 

 

 

 

LIVRO DE VISITAS

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