MAIS SONETOS "IN TEMPORE"por

Carmo Vasconcelos

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DIVINA SAPIÊNCIA
Carmo Vasconcelos


Se apenas o amor d’alma agora pode unir-nos
Que não chore o corpo a carnal separação
Mágoa seria dessa benção mão abrirmos
Ingratos pelo supremo bem desta união

Corpo é matéria, deformável, perecível
Em tempo incerto predestinado à extinção
Eterna é a alma que o governa, inextinguível
Essência pura fadada à ressurreição

Em novas vidas haveremos de viver
Acertos cármicos pra erros redimir
Que evolução não surge duma só vivência...

Quem sabe, meu amor, se noutro renascer
Não mereçamos alma e corpo reunir
Marcada a hora pla Divina sapiência?

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 04/Janº/2008

 

 

 

 

DIVINO ESPELHO
Carmo Vasconcelos


Langorosa, em sossego a meditar,
Entre os tons multicor da natureza,
Aguardo que me abrace esta beleza,
E venha a doce musa me beijar.

A brisa vem tocar-me de mansinho,
Sussurros de águas calmas me entontecem,
Visões do paraíso me adormecem;
E em sonhos, vem poesia pelo caminho.

A levitar plos céus da mansidão,
Me inspiro dentro do Divino espelho,
Extasiada plas cores da Criação!

E é vergada ao fulgor dessa estesia,
Que ante a celeste pintura eu me ajoelho,
E em prece vou bordando a poesia!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 03/Novº/2007

 

 

 

 

DIVINO MANTO
Carmo Vasconcelos


Por que, Deus meu, só agora me baixaste
Sobre os ombros o manto prateado
De zibelina e estrelas salpicado?...
- Divina graça com que me afagaste!

E é tanta a luz que dele se desprende
Que a minha alma aos revérberos da prata
Se queda muda a parecer-Te ingrata
Em êxtase ante o brilho que resplende

Perdoa, Pai, se o coração fadado
Ao frio e desamor, tão machucado
Nem sabe agora como agradecer-Te...

De assombrado, só lhe ocorre dizer-Te
Em lágrimas, fusão de espanto e prece:
- Graças, Senhor, plo manto que me aquece!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 04/Abril/2009

 

 

 

 

DORMINDO
Carmo Vasconcelos


Mergulho em vós, quase ébria, neste sono,
Lençóis rosados, pétalas carmim,
Idealizando um caloroso Outono
A juntar-nos em vestes de cetim.

Sentindo já tuas mãos roçando sedas,
E o bafo do teu beijo me aquecendo,
No fogo das palavras que segredas,
Queimo a noite e dormindo vou morrendo.

Mas levo-te comigo no sonhar,
Preso ao meu doido amor que subsiste
Nessa aparente morte, caída ao luar.

Mas inda que prostrada em letargia,
Persiste a mágoa da tua ausência triste
E faz do meu sonhar melancolia!


Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 15/Dezº/2006

 

 

 

 

É TARDE, MEU AMOR!
Carmo Vasconcelos


É tão largo o mar... A ele não me afoito
Sepultarei na areia a tua ausência
Que náufraga já sou na turbulência
Desta maré adversa onde me acoito

Se Deus abrisse para nós as águas
C’o mesmo espanto com que o fez um dia
Por entre a trilha aberta eu correria
Rumo aos teus braços pra calar as mágoas

Mas já se foi o tempo dos milagres
Para que a tua vida me consagres
E a minha à tua possa ser unida

É tarde, meu amor, para a partida!
Resta a dor de jamais te navegar
Cega de ti... ficar olhando o mar

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 05/Março/2008

 

 

 

 

 

 

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