MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

por

Carmo Vasconcelos

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AMADA AMANTE
Carmo Vasconcelos


Eu sou de ti a mãe, fêmea zelosa
Que a cria afaga e lambe com seu zelo
Sofrendo se tu sofres, lastimosa
Em beijos te mimando com desvelo

Sou a irmã que te escuta as confissões
Que ri contigo dos teus desatinos
Te dá consolo nas desilusões
Trazendo a nós lembranças de meninos

Sou mais... a amiga-amor, a fantasia
Duma amante que em pecado, heresia
A ti se entrega, nua de corpo e alma

Não fora a sina que me leva a palma
E do meu sonho ri, exasperante,
Que à luz seria a tua amada amante

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 29/Julho/2007

 

 

 

 

ÂNFORA
CARMO VASCONCELOS


Esvaziada me deixa a tua ausência
O mundo ao meu redor faz-se um deserto
Vislumbro-te um oásis se estás perto
De romã e medronho é tua imanência

Quando te vais, fontes em mutação
Libertam gotas acres e salgadas
São lágrimas as águas derramadas
Que de mim brotam em desolação

Tu penetraste, símil, em minha aura
Pintando a cor ideal, a que restaura
Os danos incrustados em cegueira

Que a ânfora que eu era, estilhaçada,
Colada ao teu amor foi restaurada
Voltei, amado meu, a ser inteira!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 02/Setº/2007

 

 

 

 

AO MEU NAMORADO
Carmo Vasconcelos


Jamais pensei voltar a ser amada
E nem amar com tal intensidade...
Dum grande amor vivia na saudade
E de tédio minh’alma era assombrada

Chegaste, meu amor, e eu me extasio
Ante o sacro milagre inesperado
Que a mim te trouxe como um anjo alado
No calor d’asa que aqueceu meu frio

És cálido e gentil, meu bem-amado
Mente sã, coração apaixonado
Poeta altivo que em versos me dás cor

Sem ti, seria a poeta esmorecida
A mulher de desejo desprovida
Não me deixes, por Deus, sem teu amor!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 14 /Fevº/2008

 

 

 

 

AS CORES DO AMOR
Carmo Vasconcelos


Rubro ou negro são as cores do amor
Quiçá cinzento se não retribuído
Porém tão quente mesmo que sofrido
Que o peito abrasa com o seu calor

E quando disfarçado doutra cor
Engana até o próprio ser que o sente
Como se ao toldá-lo de indiferente
Ultrapassasse o pesar da sua dor

Mas é dor colorida essa de amar
Aguardando sob o céu ou sobre o mar
Etérea fica, como que dormente...

Não é, portanto, uma mágoa pungente
É volúpia sentida em desvario
Que alenta e deixa a mente em rodopio

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 09/Junho/2007

 

 

 

 

ATÉ AO RASGAR DA PELE...
Carmo Vasconcelos


Próxima vislumbro do túnel a saída
Esplendorosa luz que me chama e deslumbra...
Oculta a mão de Deus pressinto na penumbra
A conceder-me, magna, a ventura pedida

Caminho devagar... Não ceguem os meus olhos
Do brilho tamanho que os faz cerrar de medo
Que a vida é pródiga de artimanhas e enredo
E menos abundam as bençãos que os escolhos

Mas impensável se afigura recuar
Ante o fascínio do clarão que ora me impele
A prosseguir no desvario de imaginar

A fome saciada na carne e coração
Ainda que haja treva até ao rasgar da pele
Dessa ígnea luz... Maior que amor... Adoração!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 03/Março/2009

 

 

 

 

 

 

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