MAIS SONETOS "IN TEMPORE"

por

Carmo Vasconcelos

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A VINDIMA
Carmo Vasconcelos


Hoje maduro-branco é o meu desejo
Um vinho a par e tom dos meus cabelos
Néctar descolorido de desvelos
Insípido sem fogos de festejo

Doirada vinha o deu, hoje nevada
Pelo frio das agruras temporais
Mas inda há bagos de imos estivais
Sob esta terra austera ora gelada

Em novo tempo os hás-de vindimar
E os bagos haverão de fermentar
Até que o novo vinho apure a cor

Na espera se aprimora o seu sabor
E em festim haveremos de o beber
Pra não deixarmos de nos bem-querer

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal -02/Janº/2009

 

 

 

 

AD ETERNUM
Carmo Vasconcelos


Ah...Não duvides deste amor, jamais!
Do que te disse e até do que calei;
Do pranto que, sem saberes, chorei
Plasmando em dor esse eco dos teus ais

Duvida, sim, do esgar desta alegria
Que rasga a minha boca em tolo riso
Mascarando de fútil e sem siso
O andrajo desta mágoa a cada dia

Mesmo que deste amor fique demente
Elevar-te-ei, na minha insanidade,
Até ao cume da terra da verdade.

Nessa pura energia iridescente,
“Ad eternum” nós dois seremos um,
Cumprido, enfim, nosso carma comum!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal- 08/Junho/08

 

 

 

 

AGORA
Carmo Vasconcelos


Agora fez-se luz no meu caminho
Imerso em nebulosa inquietação
Sem prosas proseou o teu carinho
Sem versos versejou tua paixão

Fluiu de nossos corpos a atracção
Ardente o desejo desesperado
Ao rubro como lava de vulcão
Ou chama de braseiro atiçado

E a luz brotou das fúlgidas estrelas
Do céu da tua boca presa à minha
Da força dos teus braços me enlaçando

Inseguranças para que retê-las?
Retido esse momento nos amando
Jamais ficarei só… mesmo sozinha!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2008

 

 

 

 

AINDA HÁ PÉTALAS CAÍDAS…
Carmo Vasconcelos


Toma-me se queres… nada me dês
E eu em sonhos floridos adormeço
Se tudo de mim dou nada te peço
Não me fales de comos nem porquês

Se não é um jardim o nosso amor
Inda há pétalas caídas plo chão
Manchas verdes no rubro coração
Lembrando uma amizade multicor

Mas se é um mato seco o que me dás
E se é prado florido o que te dou
Só na ilusão é nosso amor vivaz

Em breve serei flor que já secou
Porém a terra fértil que a gerou
De a fazer reviver será capaz!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 2005

 

 

 

 

ALECRIM E AÇUCENAS
Carmo Vasconcelos


Varro do velho roseiral as folhas mortas,
Fétido odor a poluir o meu jardim,
Ervas daninhas corto rentes pelas portas,
E eis que preparo novo chão só de alecrim!

Renego encantos de paisagens cor-de-rosa,
E o verde não mentirá mais aos meus sentidos,
- Cores cambiantes de ilusão vertiginosa,
Fatal cegueira para amores destemidos!

Colcha-alecrim há-de cobrir os meus domínios,
Fundas olheiras vestirão seu tom na dor
Da cor violácea de traições e de abomínios!

Sejam as lágrimas sementes de açucenas,
Níveas vestais a matizar roxo torpor,
Manto de arminho a acalentar as minhas penas!

Carmo Vasconcelos
Lisboa-Portugal - 12/Maio/2009

 

 

 

 

 

 

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