Carmo Vasconcelos

 

Beraud

Trabalho

 

O VÉRTICE LUMINOSO DA PIRÂMIDE
(Romance) 
por

Carmo Vasconcelos



 
Com a minha gratidão a todos os companheiros de estrada, vivos e mortos,
que, presentes ainda entre nós ou religiosamente guardados na minha memória,
contribuíram para a elaboração e publicação deste livro.
A autora
Carmo Vasconcelos
 

 
 
INTRÓITO
 A
"O VÉRTICE LUMINOSO DA PIRÂMIDE"
Por Armando Figueiredo (Dr.)

 
Tornou-se moda e escola comum entre os cultores da Arte Narrativa, depois da voga simbolista, na prosa, na prossecução da rebeldia à escola neo-realista, escrever com as mais variadas conotações simbólicas, tendo alguns autores recorrido às recônditas áreas da subconsciência. Freud deu azo a que toda esta revolução literária tivesse funcionado nessa correnteza, uma vez considerados os avanços conseguidos no estudo dos comportamentos diferenciados e condicionalismos sociais patológicos, áreas do saber e conhecimento às quais foram buscar material para a escrita romanesca e poética, igualmente consideradas. A vaga dos escritores alegóricos aparece depois de Marcel Proust. E ainda que este não tivesse atingido a feitura artística de Boris Vian ou de Vergílio Ferreira (da sua 2.ª fase), ou de José Saramago - não os desmerecendo, bem colocada a questão no seu tempo cronológico, cultural e social, diferentes óbvia e consequentemente - sendo aquele consagrado mestre, dos melhores - diga-se para que não subsistam dúvidas, no seu estilo próprio e na sua idiossincrasia.
Em presença da narrativa O VÉRTICE LUMINOSO DA PIRÂMIDE, não é muito importante fazer alusão aos mestres da Literatura e da Linguística. A simplicidade é a tónica, e a leitura fácil. Recorre a algumas analepses para a tornar mais atractiva e rendilhar no gosto, o carácter de surpresas esporádicas, ou seja, de suspense bem comedido; o tecido textual é, todavia, comparável à narrativa camiliana ou queirosiana ou dinisiana ou garrettiana. Nada de intrincadas costuras elaboradas no emaranhado elíptico de avanços e recuos discursivos e narrativos (mais ou menos barrocos - 'après-la-lettre'), como esses que foram muito costurados à laia de William Faulkner ou de António Lobo Antunes.
A narrativa é para ser lida, neste caso, ao jeito de crónica de usos e costumes enraizados nesta Lisboa dos tempos modernos, à qual se juntou o prazer da escrita com as suas cores e esboços bordados artisticamente pela pena de Carmo Vasconcelos.
A narrativa da história de Carmen é, deste modo,  um mergulho no tempo centenário que começa praticamente na deflagração da 2.ª guerra mundial e estende-se até aos nossos dias.
É uma narrativa bem escrita numa linguagem cuidada. A autora é uma poetisa premiada, e a sua obra O VÉRTICE LUMINOSO DA PIRÂMIDE enquadra a narração no seu tempo histórico com referência aos episódios mais marcantes do século passado, expondo o seu ponto de vista na apreciação dos conflitos sociais e ideológicos. Recorre esporadicamente à astrologia para definir caracteres e detém-se amiúde na descrição dos usos e costumes da época em que são narrados e da sociedade lisboeta, com especial incidência numa pequena burguesia que luta pela sobrevivência do remedeio, em contraste com outra média e alta, que esbanja dinheiro até se arruinar, e consequentemente perder o estatuto da sua média. Embeleza o fio da meada discursiva com um lirismo muito próprio, recurso endógeno que lhe advém da alma de poeta, perpassando ainda  por toda a narrativa uma tentativa de aproximação  de conceitos místicos apropriados, caracterizando-a como algo que tem muito  a ver com o carma hindu, ou seja, a prova existencial que leva a que os humanos atinjam estados de progressiva perfeição anímica em ciclos sequenciais até atingir o fim da espiral na forma divina.        
Estamos em presença, possivelmente, mais da simplicidade de Fernando Namora,  John Steinbeck, Ferreira de Castro, François Mauriac, José Cardoso Pires, Albert Camus, Branquinho da Fonseca ou Somerset Maughan. E nesta lisura escorreita duma viagem pelo caudal dum discurso sem muitas curvaturas, diríamos à moda duma leitura crítica de Roland Barthes que o prazer está quando abrimos a obra e nos prendemos ao desenrolar dos acontecimentos. O prazer de ler é o sinónimo figurado de abrir, entrar e agarrarmos a fraseologia que nos diverte o espírito e o imaginário nele criado. Quando isso acontece, vamos na alegria duma viagem longa, e ao mesmo tempo tão breve que deixa alguma saudade! Quem quiser passar algum tempo a ler O VÉRTICE LUMINOSO DA PIRÂMIDE, sairá com a sensação de que a viagem na sua duração, valeu a pena, e até gostaríamos que ela continuasse.
Para uma apresentação da obra, a simplicidade da narrativa de Carmo Vasconcelos exige a simplicidade da exposição exegética, para que não haja discrepância ou dissonância entre autora e feitor do intróito, este que se sente honrado pelo convite de responsabilidade muita, e que naturalmente envolveu uma sua escolha (e agora um aparte: ela teria certamente, a meu ver, outras escolhas mais prestigiantes e merecidas, a que não recorreu por razões que só ela poderá fazer valer).
Armando Figueiredo (Dr.)
http://daniel.cristal.planetaclix.pt/index.html

 

 
INTRODUÇÃO
 
Esta é uma história que abrange várias gerações. A saga de uma família, de há cem anos a esta parte. Nela existe tragédia, farsa, comédia e drama, num misto de risos, lágrimas, sonhos, vitórias e decepções. Sempre presentes, o amor e o desamor em todas as suas facetas. E como esquadros do tempo: História e Poesia. Mas nela descobrirão, sobretudo, um grato e fervoroso amor pela dádiva Divina que é a Vida. 
Peça e actores extraídos das memórias de uma amiga muito íntima – ficção ou realidade? – Que só agora se dispôs a expulsar demónios e a reaver deuses.
Seu nome? Chamar-lhe-ei “Carmen”. Vamos conhecê-la!
A autora
Carmo Vasconcelos
 

  

 

 

 

 

 

 

 
Livro de Visitas