Carmo Vasconcelos

"FENIX"

 

  TRADUÇÕES POÉTICAS 

Pág 2 de 3 Págs


 

1 - DE FEROOL:

 

SONGE
Ferool


Je suis resté toute une nuit à tes cotés, te regardant dormir
tes longs cheveux ébène éparpillées, sur les blancs traversins
et au milieu ton visage candide, cuivre marbré
e tes lèvres charnus qui chantonnaient des mots muets
Sourires ouverts, et mots couverts de lettres incises
je buvais les uns à défaut de pouvoir déchiffrer les autres
ton sommeil exubérant restait un paradoxe de pudeur
invitation d’un corps affétée par l’équivoque appartenance
Aime-moi, aime-moi, aime-moi, mots doux, et non dits
Pourtant il n’y a pas d’amour, il n’y a rien, qu’allégorie
Il n'y a pas deux, il n’y a personne dans cet amour
Mais un songe dépourvu d’ailes, qui s’ébat pour voler

Ferool
Paris/França/2004

SONHO
(Tradução livre de Carmo Vasconcelos)


Toda uma noite fiquei ao teu lado
vendo-te dormir.
Teus longos cabelos de ébano
espalhados sobre os alvos travesseiros
emolduravam teu rosto cândido, de mármore rosado,
e teus lábios carnudos que entoavam palavras mudas.

Sorrisos abertos e palavras feitas de letras sobrepostas.
Eu bebia uns, à falta de poder decifrar as outras
e o teu repouso exuberante era um paradoxo de pudor,
o convite de um corpo, afectado pela equívoca separação.

Ama-me, ama-me, ama-me, palavras doces mas não ditas.
Por isso, não há amor, não há nada, apenas uma alegoria.
Não há dois, não há ninguém nesse amor,
apenas um sonho desprovido de asas
que se debate para voar.

Lisboa/Portugal/2004
Carmo Vasconcelos

 

 

2 - DE FEROOL:

 

AMOUR SANS ÂGE
Ferool


Tu as oublié mon jubilé
Je ne t’ai pas tenu rigueur
Je t’ai simplement demandé
N’oublie pas mon amour
L’année prochaine
Je serais une année plus sage
Et j’en serais certaine
Tu m’offriras une fleur douce
Et une autre sauvage
Dans un écrin de mousse
Empli de pétales parfumés
Ou j‘enterrerais mon âge
Qu’à jamais il ne repousse
Je veux toujours rester sage
Je te redonnerais la douce
Plus d’oublis et de jubilés
Plus d’années ! Plus d’âge!
***
Ferool
Paris/França/2004
In: http://www.mundopoeta.net/odonodaloja/carmovasc.asp.htm

AMOR SEM IDADE
(Tradução livre de Carmo Vasconcelos)


Esqueceste o meu jubileu
Não te recriminei
Simplesmente te pedi
Que não esquecesses o meu amor

No ano vindouro
Serei um ano mais sábio
E disso terei a certeza…

Tu me ofertarás uma flor doce
E uma outra selvagem
Num cofre de espuma

Repleto de pétalas perfumadas
Onde enterrarei a minha idade
Que ele jamais rejeitará…

Quero ficar cada dia mais sábio
e voltarei a dar-te ternura
muitos olvidos e jubileus
muitos anos, muita idade!


In: http://www.mundopoeta.net/odonodaloja/carmovasc.asp.htm
Lisboa/Portugal/2004
Carmo Vasconcelos

 

 

DE EMILCE STRUCCHI:

 

NUNCA SE SABE
Emilce Srucchi



cuidado, a esa mujer le dispararon a traición y huye
anda herida de muerte, esperando algo
dicen que es peligrosa
que en ese estado puede deparar crueldades,
precisas municiones, y hasta cursilerías
afirman que donde hay luces ve estallidos
donde hay aglomeraciones pobreza ve
cuidado
porque herida de muerte como está
alcanza a divisar claramente los esqueletos detrás de la carne
los corazones atroces detrás de las muecas
no le importan la magia, el mal, los malvones
solamente confía en su soledad, los paredones y las leales sílabas
cuidado
la mujer en ese estado posee enorme dificultad para la metáfora
es capaz de bestialidad
y escalofriantes deformaciones del lenguaje
esa mujer herida de muerte puede decir:
cobarde, soberbio, mentirosa, criminal,
te deseo, te amo, sabia, muerto en vida
vegetal, venganza
con la misma facilidad con que cualquiera oculta,
mastica, pinta una pared,
conduce un automóvil,
se rasca la cabeza
o escupe sangre
cuidado
nunca se sabe cuándo una mujer está herida de muerte

Emilce Strucchi
Argentina, julio de 2004

 NUNCA SE SABE
(Tradução livre de Carmo Vasconcelos)


cuidado, essa mulher foi atraiçoada, e agora
anda ferida de morte, esperando algo

dizem que é perigosa
que nesse estado pode ser cruel
usar armas precisas, e até malabarismos

afirmam que onde há luzes vê explosões
onde há aglomerações vê pobreza

cuidado
porque ferida de morte como está
claramente consegue ver os esqueletos por detrás da carne
os corações atrozes por detrás das fisionomias

não lhe importam a magia, o mal, os cravos
apenas confia na sua solidão, nos paredões, e nas sílabas correctas

cuidado
a mulher nesse estado tem enorme dificuldade em entender a metáfora
é capaz de selvajaria
e de horripilantes deformações da linguagem

essa mulher ferida de morte pode dizer:
cobarde, soberbo, mentirosa, criminosa,
desejo-te, amo-te, sabia, morto-vivo,
vegetal, vingança

com a mesma facilidade com que qualquer um cala,
mastiga, pinta uma parede,
conduz um automóvel,
coça a cabeça
ou cospe sangue

cuidado
nunca se sabe quando uma mulher está ferida de morte


In: http://br.geocities.com/myselfthepoet/carmovasconcelos_e_emilcestrucchi.html
Lisboa/Portugal/2004
Carmo Vasconcelos

 

 

1 - DE ALFONSINA PAIS:

 

ENIGMA
Alfonsina Pais


¿Qué haré yo con tu tristeza?
que se me pega en la piel
se me enreda en mí ser
dejándome un gusto a hiel,
descubriendo ante mí
el dolor que me llega de ti.

Entonces yo evoco
ese ayer que no llegó,
los besos que no me diste,
las caricias que perdí,
los sueños que se evadieron,
mis temores y tus miedos.
Los días que no tuvimos,
las penas que contuvimos,
las risas que ya no fueron,
los hijos que no tendremos,
el pacer que se negó,
la pasión que no existió.
Los “te quiero” silenciosos,
las noches sin gozo,
el “te amo” perdido,
un mañana asesinado
y un presente dibujado.

¿Qué harás tú con mi dolor?
cuando lo sientas presente
en ése, mi sitio ausente
porque dejé de ser valiente.

Alfonsina Pais
Argentina - 18/6/2005

ENIGMA
(Tradução livre de Carmo Vasconcelos)


Que farei eu com a tua tristeza?
que se me cola à pele
se enreda em meu ser
deixando-me um gosto a fel
fazendo-me descobrir
a dor que me chega de ti.

Então eu evoco
esse ontem que não chegou
os beijos que não me deste
as carícias que perdi
os sonhos que se evadiram
os meus temores e os teus medos.

Os dias que não tivemos
as penas que contivemos
os risos que não chegaram a ser
os filhos que não teremos
o prazer que negámos
a paixão que não aconteceu.

Os "quero-te" silenciosos
as noites sem gozo
o "amo-te" perdido
e um presente desenhado
numa manhã assassinado.

Que farás tu com a minha dor?
quando a sentires presente
nesse meu lugar ausente
porque deixei de ser valente

Lisboa/Portugal/2005
Carmo Vasconcelos

 

 

2 - DE ALFONSINA PAIS:

 

HABLAR DE AMOR
Alfonsina Pais

“El verdadero amor no se reduce a lo físico ni a lo romántico.
El verdadero amor es la aceptación de todo lo que el otro es,
de lo que ha sido, de lo que será y de lo que ya no es...”

Memorias del Príncipe MC


Hablar de amor en versos
es sentir en mi boca tus besos
atracción, fuego, locura, emoción
deseos, ansiedades que nacen en lo profundo del corazón.
Vibraciones que llegan al alma
que juegan con la misma calma
despertando la magia y el misterio
que provocan anhelos inmensos sin explicación.
Sentir la maravilla de poseerte adosado a mí
aunque no estés aquí.
Confundir el dolor de no tenerte
con el raro efecto de la muerte.
Desgarro de un vacío inmenso
donde el no verte contradice tanto sentirte
que lastima y abre heridas
que se cierran milagrosamente cuan tú conexión aparece.
Hablar de amor con rimas
descubriendo lo que en el “yo” anida
aunque bien se corra el riesgo
de dejar al descubierto toda la debilidad
que conlleva un amor real.
Jugársela de frente, ignorando el temor
que se siente al revelar
con la mayor sinceridad
lo frágil que es en realidad.
Hablar de amor, sea de cualquier manera,
en rima, verso o prosa
delineando con las palabras un poema
tan solo para decir
las bendiciones y el tormento
que traspasan dulce o ferozmente la piel
pero seguir sintiendo
que tú nombre sabe a miel.

Hablarte de amor a ti…
A ti que eres mi compañero
todo un regalo del cielo
lo mejor, lo valedero
que ha llegado hasta a mí.

Alfonsina Pais
Argentina - Octubre/2005

FALAR DE AMOR
(Tradução de Carmo Vasconcelos)


"O verdadeiro amor não se limita ao físico nem ao romântico.
O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é,
do que foi, do que será, e do que já não é..."

Memórias do Príncipe MC



Falar de amor em versos
é sentir teus beijos na minha boca
atracção, fogo, loucura, emoção
desejos, ansiedades que nascem no âmago do coração.
Vibrações que chegam à alma
que jogam com a mesma calma
despertando a magia e o mistério
que provocam ânsias imensas sem explicação.
Sentir a maravilha de possuir-te colado a mim
ainda que não estejas aqui.
Confundir a dor de te não ter
com a estranha sensação da morte.
Pungência de um vazio imenso
donde o não ver-te contradiz tanto sentir-te
que magoa e abre feridas
que se fecham milagrosamente quando te sinto junto a mim.
Falar de amor com rimas
descobrindo o que nele "eu" habito
mesmo que se corra o risco
de deixar a descoberto toda a debilidade
que implica um amor real.
Enfrentá-la, ignorando o medo
que se sente ao revelar
com a maior sinceridade
quão frágil é na realidade.
Falar de amor, seja de que maneira fôr,
em rima, verso ou prosa
desenhando com as palavras um poema
apenas para dizer
as bençãos e os tormentos
que trespassam doce ou ferozmente a pele
mas seguir sentindo
que o teu nome sabe a mel.

Falar-te de amor...
A ti que és meu companheiro
todo um presente do céu
o melhor, o verdadeiro
que chegou até mim.

Lisboa/Portugal/Outubro 2005
Carmo Vasconcelos

 

 

 
Livro de Visitas