Carmo Vasconcelos

 

 

"FÉNIX"

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Revistas

EDITORIAL – 1 ano de eisFluências


O número 7 é, com certeza, o mais presente em toda a filosofia e literatura sagradas, desde tempos imemoriais até aos nossos dias.
O número 7 é sagrado, perfeito e poderoso; afirmou Pitágoras, matemático e Pai da numerologia, sendo, juntamente com todos os ímpares considerado mágico. Pitágoras, foi discípulo de todos os Grandes Mestres do Egipto, da Índia, da Grécia, da Fenícia, Caldeia e fundador em Crotona da Escola Itálica. A base de sua doutrina é "a Unidade Divina, absoluta, na qual ele vê a mônada (Unidade simples, indecomponível) das mônadas; a imortalidade da alma a pluralidade das existências num sentido de evolução; a organização harmoniosa do universo baseada na série dos números, à qual ele atribuía maior poder".
Os números são expressões de diferentes processos primordiais, por isso tem significados distintos, eles representam símbolos que se expressam no mundo material e são utilizados para que compreendamos, o que está encoberto pelo"mundo das aparências".
A soma de 3 + 4 = 7 está presente em várias religiões. O 3, representado por um triângulo (a Santíssima Trindade, por exemplo), é o Espírito; o 4, representado por um quadrado (a representação dos elementos do mundo físico: terra, água, ar e fogo), é a Matéria. O 7, é o Espírito na Terra, sustentado pelos quatro Elementos, ou a Matéria "vivificada pelo Espírito". É o espírito encarnado.
O 7 é um número místico por excelência, indica o processo de passagem do conhecido ao desconhecido; ele detém uma clara relevância, não apenas entre os ocultistas, porém, também em todas as religiões, das mais antigas às mais modernas.



VEJAMOS ALGUMAS CURIOSIDADES RELACIONADOS AO NÚMERO SETE:


7 São as virtudes: Fé, Esperança, Caridade, Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
7 São os pecados capitais: Soberba, Ira, Inveja, Luxúria, Gula, Avareza e Preguiça.
7 São os sacramentos da Igreja Católica: Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Ordem, Matrimónio e Extrema União.
7 São as Obras de Misericórdia: Dar de comer a quem tem fome, Dar de beber a quem tem sede, Vestir os nus, Dar Pousada aos Peregrinos, Visitar os enfermos e encarcerados, Remir os cativos e Enterrar os mortos
7 São as notas musicais com 7 escalas, 7 pausas e 7 valores.
São 7 as cores do Arco-Íris.
7 Foram as pragas do Egipto.
São 7 os Arcanjos: Miguel, Jofiel, Samuel, Gabriel, Rafael, Uriel e Ezequiel,
7 São as Leis Universais: Natureza, Harmonia, Correspondência, Evolução, Polaridade, Manifestação e Amor.
7 São os dons do Espírito Santo: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor a Deus.
São 7 as glândulas endócrinas: Hipófise, Tiróide, Paratireoides, Supra-renais, Sexuais, Timo e Pâncreas.
São 7 os nossos chacras: Básico, Esplénico, Umbilical, Cardíaco, Laríngeo, Frontal e Coronário.
7 São os grandes mensageiros: Krisna, Buda, Lao-Tse, Confúcio, Zoroastro, Moisés e Jesus.
No sonho do Faraó Egípcio (Bíblia) tinha 7 vacas gordas, 7 vacas magras, 7 espigas cheias, 7 espigas definhadas. José decifrou o sonho como = 7 anos de fartura e 7 anos de seca.
7 São as virtudes: Humildade, Liberdade, Castidade, Paciência, Abstinência, Caridade e Diligência.
7 São as igrejas iniciais do Cristianismo: Éfeso, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Esmirna, Filadélfia e Laodicéia.
7 São as Obras de Misericórdia Espiritual: Dar um Bom Conselho, Instruir os Menos Esclarecidos, Corrigir os que Erram, Consolar os Aflitos, Perdoar as Injúrias, Suportar Pacientemente as Fraquezas do Próximo e Rezar pelos vivos e Falecidos.
No Apocalipse de São João encontramos: 7 Estrelas, 7 Igrejas, 7 Cornos, 7 Selos, 7 Candelabros, 7 Anjos, 7 Trombetas, 7 Coroas, 7 Trovões e 7 Taças.
De acordo com Abraão, o Patriarca, existem 7 portais para a alma. Os olhos podem ser as janelas da alma, mas há 7 portais no total: 2 olhos, 2 ouvidos, 2 fossas nasais e a boca.
 



Pois bem, prezados colaboradores, leitores e amigos,
Número 7 é também a Revista que hoje temos o prazer de trazer até vós, comemorando com festiva alegria, o

1º Aniversário da eisFluências,
Um ano foi percorrido, desde o seu lançamento em 15 de Outubro de 2009.
Um ano durante o qual, tentámos aperfeiçoar o projecto inicial, o melhor que soubemos, no sentido de vos oferecer o melhor que nos foi possível encontrar no campo da notícia, da prosa e poesia, e na divulgação de obras e autores; enfim, no âmbito da vertente cultural que nos propusemos abraçar. Tivemos a preocupação de fazer da eisFluências uma revista séria e credível, fazendo o seu Registo na Biblioteca Nacional do Brasil e obtendo o ISSN e respectivo código de barras. Trâmites estes que, para além de protegerem os nossos autores sob a Lei dos Direitos Autorais, nos torna legalizados em todo o mundo. Lembramos também que cerca de 4 000 e-mails são veiculados a cada edição da Revista, distribuindo-a por vários Organismos Públicos, Culturais, e entidades particulares, e por diversos países, com preponderância pelos núcleos de expressão lusófona.
Temos de confessar, embora com a humildade que se impõe, que os resultados superaram as nossas expectativas. Muitas mensagens de apoio e apreço nos têm sido dirigidas, muitas ofertas de colaboração temos recebido, tantas, que ainda não conseguimos satisfazer a todas. Estamos a tentar fazê-lo a médio prazo, usando de um sistema rotativo de autores, para além dos nossos colaboradores fixos e correspondentes. Isto, porque o aumento de páginas de cada Revista não se afigura viável, até porque, sendo a nossa Revista também distribuída em papel (100 exemplares por edição), há custos implicados com fotocópias e portes de correio, cujo acréscimo não poderia ser suportado continuamente. Queremos continuar a ser uma Publicação gratuita e, como já dissemos, a única coisa que pedimos aos nossos colaboradores e leitores é que façam a divulgação da eisFluências, quer nos sites e blogues pessoais, quer a nível de escolas ou outros organismos culturais a que tenham acesso.
Prezados amigos, tem sido a vossa colaboração, atenção e palavras de apoio e incentivo, que nos têm dado o estímulo necessário para continuarmos.
E é isto que queremos agradecer hoje e aqui. A todos que têm contribuído – colaboradores e leitores – para que a eisFluências se mantenha no ar.
A todos a nossa gratidão!
O nosso maior prémio é que continuem a colaborar com a mesma entrega e a ler-nos com a mesma dedicação, para que não se perca em nós, o ânimo para prosseguirmos este trabalho de amor às Letras e à Cultura em geral.

Contamos convosco!

Saudações literárias
P’la Revista eisFluências,
Carmo Vasconcelos
(Directora Cultural)

In Revista eisFluências de Outº/2010
http://www.eisfluencias.ecosdapoesia.org

 

Em comemoração dos 106 anos do nascimento de
PABLO NERUDA

Por Carmo Vasconcelos

PABLO NERUDA
Prémio Nobel de Literatura, em 1971


Pablo Neruda nasceu em Parral, em 12 de Julho de 1904, como Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto. Era filho de um operário ferroviário e de uma professora primária, morta quando Neruda tinha apenas um mês de vida. Ainda adolescente adoptou o pseudónimo de Pablo Neruda (inspirado no escritor checo Jan Neruda), que utilizaria durante toda a vida, tornando-se o seu nome legal, após acção de modificação do nome civil.
Em 1906 seu pai transferiu-se para Temuco, onde se casou com Trinidad Candia Marverde, que o poeta menciona em diversos textos, como em Confesso que vivi e Memorial de Ilha Negra, com o nome de Mamadre. Estudou no Liceu dessa cidade e ali publicou seus primeiros poemas no periódico regional A Manhã. Em 1919 obteve o terceiro lugar nos Jogos Florais de Maule com o poema Nocturno Ideal.
Em 1921 radicou-se em Santiago e estudou pedagogia em francês, na Universidade do Chile, obtendo o primeiro prémio da Festa da Primavera com o poema A Canção de Festa, publicado posteriormente na revista Juventude. Em 1923 publica Crespusculário e no ano seguinte aparece com Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, no que ainda se nota uma influência do modernismo. Posteriormente, manifesta-se um propósito de renovação formal de intenção vanguardista em três breves livros publicados em 1936: O habitante e sua esperança, Anéis (em colaboração com Tomás Lagos) e Tentativa do homem infinito.
Em 1927 começa sua longa carreira diplomática quando é nomeado cônsul em Rangum, na Birmânia. Em suas múltiplas viagens conhece em Buenos Aires Frederico Garcia Lorca e, em Barcelona, Rafael Alberti. Em 1935, Manuel Altolaguirre entrega a Neruda a direcção da revista Cavalo verde para a poesia, na qual é companheiro dos poetas da geração de 1927. Nesse mesmo ano aparece a edição madrilena de Residência na terra.
Em 1936 eclode a Guerra Civil espanhola; Neruda é destituído do cargo consular e escreve Espanha no coração. Em 1945 é eleito senador e obtém o Prémio Nacional de Literatura. No mesmo ano, lê para mais de 100 mil pessoas no Estádio do Pacaembu, em homenagem ao líder comunista Luís Carlos Prestes. Em 1950 publica Canto Geral, em que sua poesia adopta intenção social, ética e política. Em 1952 publica Os Versos do Capitão e em 1954 As uvas e o vento e Odes Elementares.
Em 1953 constrói a sua casa em Santiago, apelidada de "La Chascona", para se encontrar clandestinamente com sua amante Matilde, a quem havia dedicado Os Versos do Capitão. A casa foi uma de suas três casas no Chile, as outras estão em Isla Negra e Valparaíso. "La Chascona" é agora um museu com objectos de Neruda e pode ser visitada em Santiago. No mesmo ano, recebeu o Prémio Lenin da Paz.
Em 1958 apareceu Estravagario com uma nova mudança em sua poesia. Em 1965 foi-lhe outorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, Grã-Bretanha. Em Outubro de 1971 recebeu o Nobel de Literatura. Após o prémio, Neruda é convidado por Salvador Allende para ler para mais de 70 mil pessoas no Estádio Nacional do Chile.
Morreu em Santiago, em 23 de Setembro de 1973, de câncer na próstata. Postumamente, foram publicadas as suas memórias, em 1974, com o título Confesso que vivi.
Em 1994 um filme chamado Il Postino (também conhecido como O Carteiro e O Poeta ou O Carteiro de Pablo Neruda, no Brasil e em Portugal) conta a sua história na Isla Negra, no Chile, com a sua terceira mulher, Matilde.
Durante as eleições presidenciais do Chile nos anos 70, Neruda abriu mão da sua candidatura para que Allende vencesse, pois ambos eram marxistas e acreditavam numa América Latina mais justa, o que, a seu ver, poderia ocorrer com o socialismo. De acordo com Isabel Allende, em seu livro Paula, Neruda morreu de "tristeza" em Setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Allende.

Em Julho/2010, em comemoração dos 106 anos de nascimento de Pablo Neruda, 31 Países participaram na homenagem ao Poeta, num mural da Casa de Arte de Alfred Asís, frente à casa de Pablo Neruda, na Isla Negra, no Chile.
A exposição teve início dia 03 de Julho, e prolongou-se por todo o mês.

Este ano, no passado dia 2 de Abril, foi lançada a Antologia com obras de 133 Poetas.
 




Seus poemas:
 

Me gustas cuando callas porque estás como ausente
Pablo Neruda


Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

 

Unidad
Pablo Neruda


Hay algo denso, unido, sentado en el fondo,
repitiendo su número, su señal idéntica.
Cómo se nota que las piedras han tocado el tiempo,
en su fina materia hay olor a edad,
y el agua que trae el mar, de sal y sueño.

Me rodea una misma cosa, un solo movimiento:
el peso del mineral, la luz de la miel,
se pegan al sonido de la palabra noche:
la tinta del trigo, del marfil, del llanto,
envejecidas, desteñidas, uniformes,
se unen en torno a mí como paredes.

Trabajo sordamente, girando sobre mí mismo,
como el cuervo sobre la muerte, el cuervo de luto.
Pienso, aislado en lo extremo de las estaciones,
central, rodeado de geografía silenciosa:
una temperatura parcial cae del cielo,
un extremo imperio de confusas unidades
se reúne rodeándome.


***
Pesquisa e composição de Carmo Vasconcelos
( Wikipédia e notícias enviadas à autora pelo Poeta Alfred Asís)

In Revista eisFluências Abril/2011
http://www.eisfluencias.ecosdapoesia.org

 

EUNICE WEAVER
A Grande Servidora do Bem

Por Carmo Vasconcelos

Eunice Weaver
1902/1969



Eunice Sousa Gabi Weaver, nasceu numa fazenda de café, na cidade de São Manoel interior de São Paulo, em 19/09/1902, filha de Henrique Gabbi - carpinteiro, natural da província de Reggio Emilia, Itália - e de Leopoldina Gabbi - natural de Piracicaba/SP.
Sua vida foi totalmente dedicada aos portadores do mal de hansen e suas famílias.
Era portadora de beleza particular, impressionava pela altivez sem imposição, pela decisão sem arrogância e pela simplicidade repassada de nobreza.
Sua mãe, de origem suíça, falava muitas línguas, imprimia hábitos de estudo e princípios morais austeros.
Eram muito amigas, e quando ela morreu moravam em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Foi estudar em São Paulo e, durante as férias na fazenda, ocorreu este facto:
Começo de século, São Paulo, fazenda de café, próspera. No terreiro, vagaroso como numa procissão, vem entrando um bando em farrapos, os rostos ocultos. São mendigos, doentes, associados na miséria, no abandono da vida, que apanham agasalhos e alimentos deixados na porteira. As crianças da Casa Grande são levadas para dentro, às pressas, portas fechadas, cortinas corridas. Uma das meninas se esconde. Súbito, uma mulher abandona o grupo e aproxima-se. Há nela um vago ar aristocrático, restos de nobreza, voz serena, escondida na sombra do grande chapéu de palha, não se vê o rosto:
“ Sou Rosa! Mesmo que não se lembrem de mim, quero agradecer. Meus pais dizem que me suicidei, é melhor assim, seria segregada; joguei minha roupa no rio, pensaram que me afoguei. Casei-me com aquele homem. Nessa vida de cigano é melhor ser um só.”
Rosa Fernandes fora uma linda jovem, filha de vizinhos, que se tornou cobiçada donzela e que a todos encantava, mas que havia, há algum tempo, desaparecido. Esta moça tinha contraído lepra nos tempos de colégio.
Nunca mais Eunice esqueceria os "Olhos de Rosa", e a partir deste episódio, começava o seu trabalho em benefício dos nossos irmãos chegados, como A Grande Servidora do Bem.
Ela talvez não tenha feito nada por Rosa Fernandes, mas o fez por muitas "Rosas" que desabrochavam do seio de hansenianos, e que por enfermidade de seus pais não podiam permanecer com eles.
Em 1927, reencontrou Charles Anderson Weaver, que havia sido seu professor de latim.
Dirigia o Colégio Granbery, havia enviuvado e tratava da edição de seu livro, em São Paulo. Eunice ficou fascinada por sua cultura, inteligência, bondade e brilhantismo de ideias.
Quando se casaram foram morar em Juiz de Fora, onde leccionou História e Geografia. Embora o casal não tivesse tido filhos, Eunice cuidou dos quatro filhos do primeiro casamento do marido.
Foi mais do que um simples matrimónio, antes um encontro de almas mutuamente dedicadas, que se reuniram para um sublime ministério de amor e solidariedade humana.
Em seguida, Dr. Weaver foi convidado pela Universidade de Nova Iorque, a dirigir uma universidade flutuante, a bordo de um luxuoso transatlântico, que faria uma longa viagem, para melhor formação de seus alunos em volta do mundo.
Aceitando o honroso convite, partiu do Rio de Janeiro, acompanhado pela esposa em inesquecível cruzeiro de cultura e amor.
Eunice aproveitou para estudar jornalismo, sociologia e filosofia oriental visitando 42 países.
Mais tarde, estudou na Columbia University e fez curso de Serviço Social na Universidade de Carolina do Norte (EUA). Como repórter, trabalhou durante a viagem, viveu um dia inteiro num templo budista, foi até ao Himalaia de jumento e entrevistou durante quatro horas Mahatma Ghandi, um dos fatos mais emocionantes de sua vida - "Foi o homem mais próximo de Jesus Cristo que conheci".
Por onde andaram, ela procurou conhecer de perto o problema da lepra, o que em relação a ela se havia feito e o quanto restava por fazer.
Estagiou em numerosos leprosários: nas ilhas Sandwich (no Pacífico Sul), no Egipto, na China, no Japão e na Índia. Em todo lugar recolhia material de experiência para o ministério redentor a que iria se entregar totalmente.
De volta ao Brasil, em Juiz de Fora, começou a fazer a campanha de assistência aos leprosos. Foi fundada a Sociedade de Assistência aos Lázaros, pois, em Minas Gerais, nesta época, o problema da lepra era terrível: o trem passava de madrugada, o vagão de segunda classe cheio de doentes encaminhados ao único leprosário em Belo Horizonte, o Santa Isabel; e ela levava à estação, roupas, cobertores e refeições.
A recomendação era sempre a mesma: "Dona Eunice, tome conta de nossos filhos, não os deixe passar fome, não permita que fiquem doentes com esta terrível moléstia".
Aquilo ficava em seus ouvidos.
Sabia que a lepra não era hereditária, e a primeira campanha foi organizar preventórios, mais tarde, transformados em educandários, com a preocupação de educar crianças, sem recalques, fazendo-as participar da comunidade em condições normais.
Em 1935, com muita coragem, conseguiu convencer o Presidente Getúlio Vargas a ajudar oficialmente a obra, que lhe prometeu dar o dobro do que ela conseguisse junto a sociedade civil.
Após esse acordo, Eunice passou a viajar por todo o Brasil, lançando a campanha da Federação das Sociedades de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.
Uma das passagens mais interessantes durante as construções dos educandários deu-se no Amazonas.
Eunice estava no canteiro de obras da futura instituição que iria abrigar os filhos dos hansenianos daquela região quando, de repente, um bando de jagunços aparece e tenta impedir a obra sob a alegação que não queriam um leprosário no local, pois na região não existia lepra.
Eunice então, sugeriu ao líder dos jagunços que subissem o rio onde, em poucas horas ela lhe mostraria algum leproso, caso contrário, não construiria o Educandário.
Nesse instante, pegaram um barco e subiram o rio.
Após várias horas percorrendo o referido rio, nenhum leproso foi encontrado.
Os jagunços, com sua costumeira arrogância e cheios de si por terem conseguido impedir a construção do leprosário, resolveram dar a questão por encerrada.
Entretanto, num determinado momento, Eunice vendo uma choupana, disse: "Pare, aqui tem lepra!"
Ao descerem do barco concluíram que dentro da choupana havia mais de trinta leprosos.
O líder dos jagunços, atónito com o fato ocorrido, abandonou as suas funções de jagunço e passou a ajudar na construção do Educandário.
Surgia naquele momento o primeiro coordenador do Educandário de Manaus.
Dona Eunice Weaver esteve presente, também, em memoráveis labores assistenciais, criando e ajudando obras meritórias surgidas no Brasil, como verdadeira sacerdotisa da fraternidade.
Foi a primeira mulher a receber, no Brasil, a Ordem Nacional do Mérito, no grau de Comendador, em Novembro de 1950, e também o troféu internacional "Damien-Dutton" (pela primeira vez outorgado a uma pessoa da América do Sul). Publicou "A Vida de Florence Nightingale", "A Enfermeira" e "A História Maravilhosa da Vida". Representou o Brasil em inúmeros congressos mundiais sobre a doença, organizou serviços contra a lepra no Paraguai, Cuba, México, Guatemala, Costa Rica e Venezuela.
Em 1960, Eunice Weaver recebeu o título de Cidadã Carioca ao completar 25 anos na direcção da Federação e, em 11/09/1965, por indicação do vereador Pedro de Castro, recebeu o título de Cidadã Honorária de Juiz de Fora.
Em Outubro de 1967, foi para a ONU como delegada brasileira no 12º Congresso Mundial.
Sofreu, entretanto, incompreensões e experimentou amarguras sem fim.
Corajosa e arrebatada, possuía elevado carácter, que a permitiu manter-se lutando tenazmente em defesa dos seus "filhos", enfrentando dificuldades compreensíveis e situações complexas. Mas, a batalhadora Eunice Weaver perde inesperadamente o esposo, rompendo-se o elo de luz que lhe sustentava o equilíbrio no labor de consolação e de misericórdia. Na ausência do sempre solícito esposo, a jornada a sós lhe é mais difícil. Amigos leais buscaram animá-la, confortando-a e encorajando-a para a luta, mas a ausência física do idolatrado companheiro, pungia fortemente.
Entretanto, em 1959, uma de suas amigas levou-a até Pedro Leopoldo para conhecer o médium Chico Xavier e, a mensagem de paz e optimismo transmitida pelo médium, deu-lhe forças para continuar. Ela, agora sentia que seu marido não a abandonara.
E, com garra, voltou a enfrentar todas as tarefas que a vida lhe impusera.
As viagens, contínuas e exaustivas, continuavam sustentadas pelo amor, feito de renúncia, pelos menos favorecidos - "Os filhos do Calvário"- marchando em direcção do amanhã ajudada por centenas de mulheres valorosas que ainda prosseguem inspiradas no seu imorredouro exemplo.
Sempre trabalhando, faleceu em 9 de Dezembro de 1969, aos 67 anos, como sempre vivera: dedicada ao próximo.
Transladado seu corpo para o Rio de Janeiro, foi sepultada no Cemitério dos Ingleses, ao lado do seu idolatrado esposo.
Seu trabalho missionário, entretanto, cresceu e prossegue no ministério do socorro e apoio aos hansenianos e suas famílias.
"Gigante como Eunice Weaver não morre; é como a vela: Se gasta no afã de servir, iluminando o caminho de alguém". Rev. Manoel H. da Silva Mário Albino Martins - Coordenador do Educandário Carlos Chagas.
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Pesquisa e composição de Carmo Vasconcelos
In Revista eisFluências de Dezº/2010
http://www.eisfluencias.ecodapoesia.org.

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