Carmo Vasconcelos

 

 

"FÉNIX"

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Falar de Cinema


Falar de cinema, imediatamente me transporta à minha juventude. Foi nessa época que ele mais me impressionou e deixou as suas marcas. Num tempo sem TV, nem Vídeo, o cinema era a viagem ao mundo dos sonhos. Uma extensão dos romances que eu devorava, a materialização dos personagens lidos, das paisagens imaginadas, dos dramas e romances vividos entre as páginas de papel. Ir ao cinema era participar da própria aventura.
Me lembro que eu me integrava ao guião como se fizesse parte dele. Vivia intensamente o desenrolar da história, a riqueza dos diálogos, a expectativa da cena seguinte e, inconscientemente, ia arquitectando na minha mente o final desejado. Porque o cinema dessa época tinha princípio, meio e fim. Era um cinema organizado. Não como a maioria dos filmes actuais que terminam abruptamente, deixando ao espectador a tarefa de congeminar o enredo, deixando-nos com a sensação de frustração pelo final inacabado. Alguns filmes faziam-me chorar como uma Madalena, e neles eu exorcizava todas as minhas emoções contidas. Curiosamente, sendo eu uma pessoa intrinsecamente alegre, os dramas eram os meus preferidos. Os que mais me tocavam. Não as grandes catástrofes, nem o sangue explícito de batalhas ou assassinatos, esses não me impressionavam. Eram as subtilezas adivinhadas, as dores ocultas, as agressões à sensibilidade, os desejos, as privações, as mil e uma nuances quase imperceptíveis duma plêiade de sentimentos. E eu saía da sessão, disfarçando, envergonhada, os meus olhos vermelhos, mas cheia de um saber de vida, de conhecimento humano, suportes para a minha vida futura que estava apenas começando.
Como não vibrar com “O Adeus às Armas”, extraído do livro de Hemingway; o “Dr, Jívago”, do romance original de Boris Pasternak; “Zorba, o Grego”, com o excepcional actor Anthony Quinn dançando o Sirtaki; “A Ponte do Rio Kwai”, majestosamente interpretado por Alex Guiness; “Luzes da Ribalta” do insuperável Charles Chaplin? … E tantos, tantos outros, que nos legaram horas de verdadeira abstracção do mundo real.
Mas o “meu” cinema não foi só lágrimas… Foi, também, muita alegria e divertimento, quando nas tardes de Carnaval era interrompido com os longos intervalos para dançar ao som das orquestras que enchiam os salões do nosso Monumental. E, para não omitir o óbvio, o “meu” cinema foi também, entrelaçar de mãos, suspiros apaixonados, beijos roubados.
Enfim, dentro e fora da tela, tudo se fazia mágico, como mágica é a própria magia do Cinema e… da Juventude!

Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal
29/Setº/2012

A INTERNET E AS RELAÇÕES INTER-SEXOS
(tema pra um debate)


Antigamente as normas, religiões e tudo o mais vigente, impedia a separação dos casais.
Então “eles” "elas" faziam os seus pecaditos por fora mas o símbolo família/casal ficava incólume.
Os meios de vivência também eram muito chegados, toda a gente se conhecia e havia os “telegrafos” de espiar este ou aquela, criando condicionalismos.
Com o advento das grandes cidades, a revolução industrial e o bem estar, criaram-se as liberdades para o homem/mulher, poderem “pecar” impunes, ou quase.
A revolução feminina e o seu desenvolver cultural e a liberdade no mundo que então era só dos homens, também veio criar nestas o desejo do “pecado”.
Então apareceu a apelativa internet. O homem/mulher cada vez mais isolado e em que nem os vizinhos se conhecem encontrou nesta o escape para as suas emoções, emoções estas escondidas no âmago do ser.
Estar sozinho em frente a uma tela e onde a esposa/marido não está presente cria a liberdade do “pecar”.
Tão apelativo é o chamamento que muitos de nós não resistem, quer por falta de experiência no mundo real, quer no virtual.
Então apaixonam-se às escondidas da sua cara metade e praticam a traição conjugal.
Sim, porque a traição para existir ela começa primeiro na mente e só depois no corpo. Na net nossas mentes estão em sintonia com o homem/mulher de quem gostamos, depois há o micro e a Webcam que ajudam a tornar mais
real o feito.
Aí, o casal se desfaz e cada um culpa o outro e de sobremaneira a Internet.
Quando um casal chega a este ponto, é porque algo já ia mal nas suas vidas e a Internet foi apenas a catapulta para darem o passo.
Depois há os encontros reais com o outro lado, uns... avançam e se amam mesmo de verdade, porque puseram a sinceridade na base da relação, outros... ficam no caminho e aí descobrem que o seu sonho não mais era do que o continuar da vida que tinham antes.
O que está acontecendo? Apenas expus parte de alguns problemas que aflige a todos ou quase todos em alguns momentos da sua vida, seja no real seja no virtual.
Hoje o homem/mulher está mais culto e conhece melhor o que o cerca. Muitas vezes o conjugue não acompanha esse avanço cultural e então algo se rompe.
Pelo menos, e é minha opinião pessoal, há menos cinismo.
Antes o homem/mulher tinha que viver com o conjugue pois era uma vergonha perante a sociedade, separarem-se, ainda hoje isso acontece, chegando a casos de ódio entre eles.
Hoje a separação facilita mais e daí haver menos cinismo.
Cabe a cada um de nós, casal, saber enfrentar estes dilemas e continuar ou terminar.
Obrigado

Victor Jerónimo
30.Jan.2005

http://www.ecosdapoesia.net/agoraeparasempre/

 

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Amigo Victor Jerónimo,

Ora aí um tema interessante e que, espero, dê pano para mangas.
Se me permites, meto aqui uma colherada(zita) que dá uma achega ao aasunto que tu muito bem expuseste:
Não sei se te lembras, mas creio ter escrito por essa altura (Janº 2005), mais ou menos isto:
Por alguns dos motivos que apresentas, muitos de nós, especialmente as mulheres, vegetaram longos anos num casamento de fachada, numa prisão dourada exteriormente mas podre e decadente em seu interior. E nesses anos, irrecuperáveis, gastaram vida, saúde e beleza, e mais, perderam exteriorizações e contemplações de Arte e criatividade, porque o marido (ou mulher) - como tu muito bem dizes - não "cresciam" a par do cônjuge e ainda se arrogavam o direito de sufocar o seu crescimento. O preconceito era grande, sim, mas pior ainda, era a dominação, que fazia de um propriedade do outro, mais por medo do que por respeito, muitas das vezes com chantagens ignóbeis sobre os filhos inocentes, ou até com ameaças de morte ou suícidio. Para agravar, nem sequer se podia contar com o apoio dos pais dos ditos cônjuges, que alegavam que o lugar da mulher era junto do marido e não a recebiam de volta. Uma escravatura silenciosa para manter as aparências, e cuja alforria só era possível quando o "dono" se passava para o outro mundo.
Hoje, a reivindicação da igualdade de direitos dos sexos e a independência monetária da mulher tornaram mais leves os antigos condicionantes, embora continuem a existir problemas, como a tutela dos filhos, a divisão de bens, etc., que ainda faz muitos casais permanecerem juntos mas com vidas próprias independentes. E a "Net" surge como "O Sonho" para quem não se sente confortável com a realidade que tem e, por alguma razão não consegue libertar-se dela. A solidão (mesmo acompanhado), a ausência de companheirismo, de diálogo, da componente "Poesia" e "Romance", que faltam na habituação e rotina da maior parte dos casais, é a mola impulsionadora para a "traição". Na Net, muito raramente, o "Sonho" se torna realidade; quase sempre, permanece apenas o anestésico, o factor de compensação e equilíbrio, quando o sonho não se transforma em pesadelo, através de mais uma desilusão. É, frequente e ilusoriamente, a fuga e o refúgio temporário, podendo até ser, nalguns casos, a tal "Traição", consciente ou inconscientemente, vingatória.
Portanto, e apesar de tudo, viva a Net, pois de Sonho, Ilusão e Poesia também se alimenta a alma!
Obrigada, Victor, pelo Mote, um assunto sempre dialéctico, mesmo que controverso.

Carmo Vasconcelos (Carminho)

 

In Revista eisFluências nº 1 – Outubro/2009
http://www.eisfluencias.ecosdapoesia.org

 

EDITORIAL


Caros leitores,


Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.
A "arte" do Jornalismo é escolher os assuntos que mais interessam ao público e apresentá-los de modo atraente. Nem todo texto jornalístico é noticioso, mas toda notícia é potencialmente objeto de apuração jornalística. O trabalho jornalístico consiste em captação e tratamento escrito, oral, visual ou gráfico, da informação em qualquer uma de suas formas e variedades. É, normalmente, dividido em quatro etapas distintas, cada qual com suas funções e particularidades: pauta, apuração, redação e edição. No jornalismo impresso (jornais e revistas), a edição consiste em revisar e cortar textos de acordo com o espaço de impressão pré-definido. No chamado webjornalismo, ciberjornalismo ou "jornalismo online", estes limites teoricamente não existem. Esta prática tem se difundido como "jornalismo open source", ou o jornalismo de código aberto, onde informações são apuradas, redigidas e publicadas pela comunidade sem a obrigação de serem submetidas às rígidas rotinas de produção das empresas de comunicação.
De acordo com a pesquisadora Catarina Moura, da Universidade da Beira Interior (Portugal), “Jornalismo Open Source" implica, desde logo, permitir que várias pessoas (que não apenas os jornalistas) escrevam e, sem a castração da imparcialidade, dêem a sua opinião, impedindo assim a proliferação de um pensamento único, como o pode ser aquele difundido pela maioria dos jornais, cuja objectividade e imparcialidade são muitas vezes máscaras de um qualquer ponto de vista que serve interesses mais particulares que apenas o de informar com honestidade e isenção o público que os lê". (Extractos colhidos em Wikipédia)


DO EDITORIAL


«Uma das coisas belas no trabalho dos profissionais da imprensa é a consciência permanente que, num jornal comprometido com o povo, aqueles que o produzem têm da ponte invisível que os liga à massa dos leitores. Daí uma opção primeira quanto ao editorial. Esse texto deve ser a palavra, o pensamento, o sentir do jornal e não a opinião pessoal de fulano ou beltrano. É mau que um homem ou uma mulher pretendam confundir-se com um jornal e possam fazer da sua opinião a opinião do órgão de informação em causa. O ideal, a meu ver, é um estilo editorial com tais características que o leitor ligue o texto à personalidade do jornal, que sinta nele o pulsar do sangue e das ideias do seu jornal. Sendo de execução individual, o editorial aparece-me como resultante de uma ideia colectiva, de uma atmosfera, de uma síntese harmoniosa de estilos e pessoas diferenciadas, sem os quais não existiria aquele corpo vivo autónomo, vocacionado para falar com o leitor e inspirar-lhe confiança.
Sempre acreditei e continuo a acreditar que jornalistas de formação ideológica muito diferente podem e devem dialogar, com muito proveito, estabelecer laços de boa camaradagem e arte de amizade.» (Miguel Urbano Rodrigues, in Intervenção apresentada na Conferência preparatória do I Congresso de Jornalistas Portugueses. Publicada em "O Diário" de 12/Dez/1982.)- Texto reduzido - Fonte:Wikipédia)
É, pois, prezados leitores, com este espírito jornalístico subjacente, firrmado, não em pretensões técnicas profissionais, ou de linhas mestras doutorais e eruditas, mas sim num pretenso fluir de ideias, expressões criativas, notícias, eventos, novidades literárias, e tudo o mais que possa servir à nobre causa da Cultura em geral, que surge – de nós para vós - o EisFluências.


Em nome de toda a equipa, empenhada na prossecução dos objectivos citados,
Saudações literárias,
Carmo Vasconcelos
(Directora Cultural)

 

IRENA SENDLER
Por Carmo Vasconcelos

 

Irena Sendler, 1942

Irena Sendler 2005


A MÃE DAS CRIANÇAS DO HOLOCAUSTO


Irena Sendler (em polaco Irena Sendlerowa) nasceu a 15 de fevereiro de 1910, em Varsóvia, e faleceu a 12 de maio de 2008. Também conhecida como "o anjo do Gueto de Varsóvia," foi uma activista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo contribuido para salvar mais de 2.500 vidas ao levar alimentos, roupas e medicamentos às pessoas barricadas no gueto, com risco da própria vida.
Ao longo de um ano e meio, até à evacuação do gueto no Verão de 1942, conseguiu resgatar mais de 2.500 crianças por várias vias: começou a recolhê-las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas logo se valia de todo o tipo de subterfúgios que servissem para os esconder: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacas de batatas, caixões... nas suas mãos qualquer elemento transformava-se numa via de fuga.
Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não fica satisfeita só por manter com vida as crianças. Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, a sua identidade, as suas histórias pessoais e as suas famílias. Concebeu então um arquivo no qual registava os nomes e dados das crianças e as suas novas identidades.
Os nazis souberam dessas actividades e em 20 de Outubro de 1943; Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.
Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco "Corra!". No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.
Em 1944, durante o Levantamento de Varsóvia, colocou as suas listas em dois frascos de vidro e enterrou-os no jardim de uma vizinha para se assegurar de que chegariam às mãos indicadas se ela morresse. Ao acabar a guerra, Irena desenterrou-os e entregou as notas ao doutor Adolfo Berman, o primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes. Lamentavelmente, a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio nazis.
Em 1965, a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel.
Em Novembro de 2003 o presidente da República Aleksander Kwaśniewski, concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polónia: a Ordem da Águia Branca.
Em 2007, Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prémio Nobel da Paz pelo Governo da Polónia. Esta iniciativa pertenceu ao presidente Lech Kaczyński e contou com o apoio oficial do Estado de Israel através do primeiro-ministro Ehud Olmert, e da Organização de Sobreviventes do Holocausto residentes em Israel.
As autoridades de Oświęcim (Auschwitz) expressaram o seu apoio a esta candidatura, já que consideraram que Irena Sendler era uma dos últimos heróis vivos da sua geração, e que tinha demonstrado uma força, uma convicção e um valor extraordinários frente a um mal de uma natureza extraordinária.
O prémio, no entanto, foi dado a Al Gore pelo slide show sobre o clima global.
(Subsídios Wikipédia)


Pesquisa e composição de Carmo Vasconcelos
In Revista eisFluências de abril/2010
http://www.eisfluencias.ecosdapoesia.org

 

Ludwic Zamenhof
Por Carmo Vasconcelos

 


Em 15 de Dezembro de 1859, nasce em Varsóvia, Ludwic Zamenhof, o criador do ESPERANTO. Oftalmologista e filólogo, seus idiomas nativos eram o russo, iídiche e polonês, mas ele também falava alemão fluentemente. Posteriormente aprendeu francês, latim, grego, hebraico e inglês além de se interessar por italiano, espanhol e lituano.
Zamenhof criou-se na cidade de Bialystok, que naquela época era parte do Império russo, mas atualmente pertence à Polônia.
Naquela época, falavam-se muitas línguas em Bialystok, gerando muitas dificuldades de compreensão entre as diversas culturas.
Isto lhe motivou buscar uma solução para o problema e, durante anos, foi desenvolvendo o Esperanto em um processo longo e trabalhoso.
Continuou com os seus esforços apesar de no ano de 1879 ter aparecido o Volapük, que era um projeto de língua internacional criado por Johann Martin Schleyer e que desapareceu depois do lançamento do Esperanto. Zamenhof havia aprendido o Volapük, mas os defeitos dessa língua motivaram-no a prosseguir com os seus planos.
Finalmente, no ano 1887, logrou publicar um pequeno manual intitulado Internacia Lingvo ("Língua Internacional", em esperanto) com pseudônimo de Doutor Esperanto, pois temia retaliações do governo russo contra seu projeto. Sua origem remete à profissão e à esperança de Zamenhof ao lançar a língua para o mundo, visto que "esperanto", em esperanto, significa "aquele que tem esperança".
Apesar de a língua ter nascido apenas como "Lingvo Internacia" (língua internacional), ela recebeu o nome de seu autor com o passar do tempo, palavra que acabou por se converter no nome de sua criação.
Zamenhof morreu em Varsóvia em 1917. Os seus três filhos foram assassinados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (os Zamenhof eram uma família judia). (Subsídios Wikipédia)
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Pesquisa e composição, Carmo Vasconcelos
In Revista eisFluências de Dezembro/2009
http://www.eisfluências.ecosdapoesia.org

 

Livro de Visitas

 

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