JOVEM SEGURANDO UMA  PAUTA DE MÚSICA

Louis Lagrenée (1725 – 1805, Francês)

 

MEMORANDO DE FOGO
(Poesia Livre II)

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LIBERTAÇÃO

Carmo Vasconcelos


De novo a diáfana leveza
o peito arfante aberto à natureza
liberto das grilhetas da paixão…
O pensamento claro e fluido, fresco
transparente e receptivo
vogando ao sabor da correnteza

Da turvação dos olhos te arranquei
da mente nublada exterminei
tumor libidinoso e perverso…
Nascido de veneno de flor
me embriagou com pétalas de amor
me iludiu com o aroma do desejo

Da radiografia imaginada
sobrou agora a foto, frente e verso,
que não valeu o flash de uma hora…
E a moldura, essa, gasta e deformada
de sonho e poesia mascarada
com dedos de indiferença joguei fora!

Carmo Vasconcelos

 

LONGE DE AZUL

Carmo Vasconcelos
 


Um dia...
Inda a paixão nos sorria
quiseste roubar-me as asas
e colá-las aos teus braços...
-Voaremos juntos
disseste…

Recusei!
Porquê?... Nunca o soubeste!
Breve o gelo pesaria
trazendo as asas ao chão
e a minha etérea paixão
longe de azul morreria!

Carmo Vasconcelos

 

MARIONETAS

Carmo Vasconcelos


Míticos e absurdos são os sonhos…
Mistificadores
em noites de equações mal resolvidas

Hipnóticos breves
para alucinações da carne e cefaleias da alma…
Poções inconsequentes
vertidas ao acaso do humor dos deuses
que ébrios de diversão terrena
puxam os cordelinhos
insensíveis ao sabor acre dos despertares

Marionetas somos
nas mãos libidinosas de homens e deuses!

Carmo Vasconcelos

 

MOMENTO

Carmo Vasconcelos


Para tudo
um tempo certo,
o momento inadiável…

A pétala que cai
fatigada,
o fruto que tomba
maduro,
o poema que irrompe
definitivo!

Carmo Vasconcelos

 

O LIMITE

Carmo Vasconcelos


Mais uma vez
o quase...

O botão quase flor
A flor quase fruto
A espiga quase pão

Mais uma vez
tão perto...

A perplexidade roçando o espanto
A surpresa raiando o assombro
A mão prestes a tocar a lonjura

Mas sempre
sempre…

O limite
O instante fugaz
à beira do momento maior!

Carmo Vasconcelos

 

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