"LUAS E MARÉS"

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EQUILÍBRIO
Carmo Vasconcelos


Somos micro universos
do Universo Maior,
e a nossa separação
do Uno Universal,
gera esta onda geral
de egoísmo e desamor,
violência e frustração!

Todos nós buscando amor,
buscamos a unidade
com a Divina Verdade…
Essa síntese procurada
sem a resposta encontrada,
é nossa fonte de dor,
nossa conflitualidade!
É como célula solta
que à toa, sem identidade,
degenera e se revolta!

Só quando compreendemos
em nosso saber disperso
a Lei do Sumo Universo,
seu propósito e intenção…
Somos receptores plenos
da sua força regente,
regrada e inteligente,
que ruma à evolução!

Só assim direccionados,
de um novo código munidos,
caminhamos reforçados,
confiantes, instruídos!
Usamos sinais vermelhos
para excesso de velocidade
das vãs paixões dos sentidos,
e travamos a vontade
de nossos defeitos velhos;
Orgulho, inveja, vaidade
têm sinais proibidos!

Só quando compreendemos
em nosso saber disperso
a Lei do Sumo Universo…
A conviver aprendemos
com tristezas e alegrias;
refreando euforias,
dominando frustrações,
superando duros factos…
E pesando as emoções
numa balança aferida,
não deixamos que um dos pratos
nos faça tombar na vida!

Só quando compreendemos
em nosso saber disperso
a Lei do Sumo Universo…
Deixamos vibrar, serenos,
o Espírito e a Matéria
numa frequência certa…
Só assim alcançaremos,
com a alma leve e desperta,
a Suprema Dimensão,
Pura, Divina e Etérea!

Carmo Vasconcelos

ÉS LIVRE?...
Carmo Vasconcelos


Teu corpo é lindo, mulher,
e és livre para o usar!
Podes dá-lo a um escultor
que em pedra o queira moldar,
ou posar para um pintor
que to deseje pintar;
Com ele, vender amor,
ou dá-lo só por prazer,
como melhor te aprouver!

Para tudo tu és livre
teu corpo podes usar!
Mas esse corpo, tão lindo,
é perfeito porque tem
em seu precioso ventre
o dom maior de ser mãe!

Serás tu livre o bastante
pra ter filhos se calhar,
não tê-los se os não quiseres,
desfazê-los sem chorar?...
Serás tu livre o bastante
para sem dó impedir
que uma alma distante
venha ao mundo progredir?...

Teu corpo é lindo, mulher,
e és livre para o usar!
Mas em nome do infortúnio
de outra mulher que não tem
essa ventura também,
tu não destruas, mulher,
essa Estrela Divina
que o teu ventre contém!

Seja menino ou menina,
ficarás muito mais bela,
se para além de mulher,
souberes ainda ser mãe...
Tão grande quanto uma estrela!

Carmo Vasconcelos

ESPANTO
Carmo Vasconcelos


Como me espanta ainda este meu espanto
pela vida que tanto me deslumbra,
este vibrar perene e sem quebranto,
minha visão de estrelas na penumbra!

Como me espanta o meu suor-ternura,
meus poros não dormirem já fechados,
não ser meu coração já pedra dura,
não serem minhas mãos punhos cerrados!

Como me espanta quanto sentimento
floresce ainda em cores dentro de mim,
como se a terna mão do esquecimento
plantasse as minhas mágoas num jardim!

E por me ter beijado um tal espanto
na hora abençoada de nascer,
num mar feito alegria afogo o pranto,
deslumbrada pela vida até morrer!

E se de espanto é feita a minha lida,
se nesta vida assim fui bafejada,
meus olhos verão espanto na partida,
com espanto alcançarei nova morada!


Carmo Vasconcelos
(
1º Prémio Poesia Livre Jogos Florais do Cenáculo Literário Marquesa de Valverde - Lisboa/1999)

ÊXTASE
Carmo Vasconcelos


Quando sentires com desalento
que foste traído pela vida
e te achares impotente na subida
do poço onde se afoga o teu tormento
e na escalada do abismo em que caíste…
Não julgues inaudível teu lamento,
lembra-te sempre que Ele existe!

Quando sentires, amargurado,
que o túnel para ti não tem saída
julgando-te no mundo abandonado,
cão raivoso, águia ferida,
e que a vida assim já nada vale…
Açaima a tua fúria aguerrida,
aguarda apenas que Ele fale!

Busca-O no sol e no vento,
no verde mar que te rodeia,
no céu, ora azul ora cinzento,
nas estrelas, na brilhante lua cheia,
ou até numa lembrança de outro tempo!

Busca-O na paz do moribundo,
no primeiro gemido da criança,
na rotação eterna deste mundo,
no germinar do grão lançado fundo,
na derradeira força de uma esperança!

Ouvirás em tudo a Sua Voz!
Sentirás então a Sua Paz!

Julgarás, em êxtase, que a Terra se virou
e que a outra dimensão tu aportaste…
Verás depois que nada se mudou,
a não ser tu... que sem saber mudaste!


Carmo Vasconcelos

(Poema feito para o M.E.R.D.A (Movimento Eclético de Reflexão de Dependentes de Afectividade)
do qual fui co-fundadora, em 1996.

(1º Prémio Jogos Florais da Associação Portuguesa de Poetas/1997)

FILHOS
Carmo Vasconcelos


Força que nos faz
remover escolhos,
sufocar paixões,
desviar os olhos,
calar ambições…

Força que nos faz
secar os desejos,
coragem mostrar,
conseguir dar beijos
em vez de chorar…

Força que nos faz
ir fundo na luta,
brigar por um pão,
morrer de labuta,
roubar! Por que não?...

Força que nos faz
capaz desses trilhos,
só conheço uma,
igual a nenhuma...
São os nossos filhos!

Carmo Vasconcelos

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