Carmo Vasconcelos

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MOISÉS-SALGADO

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INICIAL RESPOSTA  
MS - QUANDO O AMOR VIER CV - QUANDO O AMOR VIER  
MS - A ILHA DO TESOURO CV - A ILHA DO TESOURO 26/10/2006

 

 

I

 

 

QUANDO O AMOR VIER

 

QUANDO O AMOR VIER

Moisés Salgado

 

Carmo Vasconcelos

     
Quando o amor vier
Enlaçar-se ao meu peito
   
    Vou trancá-lo sem ter jeito
De jamais me abandonar
Quando ele vier e quiser ficar
Nas tranças mansas das ondas
   
    Veremos náiades dançar
Montadas no seu fluir
Veremos as estrelas sorrir
Espelhadas no rosto do mar.
   
    E búzios hão-de cantar
Trazendo jóias de emir
     
Para a lua namoradeira
Que adornada de luar
   
    Com artes de feiticeira
Semeia na areia da praia
Deleites de suspirar.
   
     
Na falésia dos nossos momentos    
    Despidos os sentimentos
Extasiados de nos ter-mos
Enlaçados ouviremos
As sereias cantar em uníssono
Ecoando por toda a baía
Esse canto de pasmar
   
    Uma rara melodia
Feitiço de enamorar
Que só a nós dois pertence
Porque nos estamos a amar.
   
     
Confraternizando connosco
A noite não nos quererá largar
   
    Trazendo taças de espuma
Para nosso amor festejar
Perdidos nas nossas ternuras
Um no outro procuramos nos encontrar
   
    Como aves da mesma pluma
Nem mesmo o levantar da bruma
Será capaz de nos desmotivar.
   
    Carmo Vasconcelos
Moisés Salgado    

 

II

Poema de Carmo Vasconcelos
sobre Mote de Moisés Salgado

ÔLHO DE HÓRUS-  papiro

 

A ILHA DO TESOURO
Moisés Salgado

MOTE:


Afugentei o desalento de jamais ter fundeado
Na mítica ilha do tesouro
Cuja rota havia em tempos traçado
Imaginando expedições ao interior inexplorado
Disseminei-me por canais nervosos e nublados
Vacilando no aprumo de cavalheiro respeitado
Em compensação
Descodifiquei a carne e o eu concentracionário
Fazendo do cérebro um panóptico derrocado
Apreciei cromáticos panoramas libertos do imaginário
Dentro de mim continuava a ser observado
Quis saber porquê
Quis saber por quem
Mas no alto da torre onde estava encarcerado
Fantasmas prepotentes turvavam-me a mirada
Esbatendo na tela colorida onde me julgava radicado
Os envelhecidos raios de sol
Que se apagavam extenuados

Moisés Salgado

 

 

 

 

 

 

 

A ILHA DO TESOURO
Carmo Vasconcelos


Ao longe, ancorada nos escolhos do cansaço
Consigo ver ainda a galera abandonada
Ninfa que me espera liberto de gnomos e fantasmas
Guardiã fiel, exterminadora dos Adamastores irados
Que tentam impedir-me a expedição sagrada

Eu, rompida de vez a gravata mundana
Hiberno na margem, dormente entre o conflito e o sonho
Arbusto delicado e flexível a quem as enxurradas levianas
Cobriram de terra empedernida, fossilizada vestimenta
Impermeável a osmoses fúteis e invasões profanas
Fruto rugoso de correntes desnorteadas e equívocas
Espinhoso e retráctil como ouriço à defesa de luta truculenta

Vigia-me o sapiente Olho de Horus
Nesta hora de incubação de Fénix a renascer
Para adejar fúlgidas asas sobre o fogo extinto do passado
E até mesmo à bela Afrodite, somente lhe é cedido aflorar ao de leve
As pontas afiadas e agrestes desta amálgama de lava contraída
Que renega incorporar a geometria famosa das estrelas

Um dia, o Sol rejuvenescido iluminará o meu mapa desbotado
As marés lapidarão a minha veste de rugas e de espinhos
E eu, montado no tridente de Neptuno
Subirei à galera minha amada e minha amante
Sereia nua de escamas, que me levará na espuma das palavras
Para retomar a rota interrompida
Expedicionário tranquilo aportando finalmente
Ao meu imo descoberto… a mítica Ilha do Tesouro

Carmo Vasconcelos
26/10/2006

 

 
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