Carmo Vasconcelos

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JOSÉ-GERALDO-MARTINEZ

INICIAL RESPOSTA  
JGM - BEBO! CV  - PÕE AÍ MAIS UMA TAÇA 22-4-2008
JGM - NOSSO EU MAIOR! CV  - MEU GUARDIÃO 25-03-2008

 

 

 I

 

BEBO!
José Geraldo Martinez

 

 

PÕE AÍ MAIS UMA TAÇA
Carmo Vasconcelos

Bebo das manhãs orvalhadas,
das noites enluaradas...
Das lembranças de alguém,
da saudade sem fim...
 
  Põe aí mais uma taça
nessa mesa de memórias
beberemos das estórias
do amor que vem e passa
Alcoólatra inveterado
das recordações de um tempo...
No cálice das horas,
bebo na solidão de mim!
 
  Também eu sou viciada
nas lembranças que perduram
estilhaços que a mente furam
como uma adaga afiada
Bebo os beijos molhados,
nossos corpos suados,
os segredos não confessados...
 
  Bebo as noites de paixão
nossos corpos enlaçados
os gemidos murmurados...
Nossa cama,
ninho de amor comungado...
Bebo boêmio e perdido
o nosso amor acabado!
 
  Nosso leito desmanchado
é nuvem que já se esvai
arco-íris deslaçado...
Bebo da chuva que cai!
Bebo as auroras,
as partidas e chegadas!
Bebo de mim a própria alma,
em suaves tragadas...
 
  Bebo os beijos de jardim
noites de amor perfumadas
as carícias tatuadas
no que já resta de mim
Teu riso, teu abraço...
Teus olhos e teu carinho!
Bebo teu colo, meu regaço...
Meu eu todinho!
 
  Da tua boca que espreita
a minha boca molhada
bebo a lágrima chorada
e é mágoa que em mim se deita
E de beber tanto...
Vazo saudade pura e, se não bastasse,
bebo o desencanto de minha alma nua!
 
  E assim de tanto beber
beijos secos, olhar em prantos
deixo a alma a derreter no fogo dos desencantos
Sou todo lágrimas!
Bebo delas, de mim...
Todo um rio de águas passadas,
torno-me deserto sem fim...
 
  Faço-me navio à beira
deste cais do abandono
solitária marinheira
dum amor que não tem dono
Bebo a última gota de esperança,
de uma volta possível!
Bebo desesperado as lembranças
do nosso adeus...
 
  A minha taça já geme
a transbordar de lembranças...
Verte um cálice de esperanças
no resto que inda em nós freme
Até virar pó a nossa história
e sepultar em minha memória
o nosso passado...
Todos os sonhos meus!
 
  Bebamos mas sem chorar
ao futuro que há-de vir-nos
ao amor que há-de sorrir-nos
ao sonho que há-de voltar!
   
José Geraldo Martinez Carmo Vasconcelos
15/4/2008 22/4/2008

 

 II

NOSSO EU MAIOR!

 

NOSSO EU MAIOR!
José Geraldo Martinez

 
 

MEU GUARDIÃO
Carmo Vasconcelos 

Minha amiga,
quisera neste momento onde o pensamento
viaja...
Tirar-te para uma dança e um pouco
deste mundo pequeno da tua casa!
 
  Que casa, meu amigo fiel?...
Meu lar é o mundo que atravesso
quando me enlaça
a magia dos  acordes de uma valsa.
Me abraça, te peço,
e a noite terá para nós dois sabor a mel.
Colar meu rosto ao teu.
Nossos peitos e corações...
Fechar nossos olhos para alguns sonhos,
soltar qual passarinho preso as ilusões!
 
  Isso... Mistura ao meu teu respirar...
Juntos encherão um balão de ar
e ascenderemos ao Espaço
onde só os pássaros podem chegar.
 Lá, te prometo, as nossas penas desfaço.
Dançar pelas pontes de Bruges,
pelas areias brancas caribenhas...
Sobre a neve alpina e montanhas andinas,
sobre as tardes pantaneiras e morenas!
 
  Dançaremos sobre o Sena,
o Amazonas e o Nilo,
sobre as neves eternas cor de açucena,
qual tela de Murilo...
Seremos dois pólos unidos,
inexoravelmente atraídos,
a beijar o espanto duma estrela.
Num alfa, veículo de nós,
sonhadores inveterados!
Poetas de tantos versos viajores,
vagantes de todo um céu estrelado!
 
  No arco-íris multicor
desenharemos em pauta nossa canção.
Deporei meus versos em teus lábios
que ao beijar-me, sábios,
clave de sol e amor,
em música se transformarão. 
Não custa nada um pouco de ilusão...
Os sonhos estão em promoção!
Vem!
Livres de qualquer trocado!
 
  Os nossos sonhos estão em saldo
porque ao seu alto patamar
ninguém chegou...
Vê!
Que na bagunça do rescaldo,
seu doce paladar 
para nós voltou.
Encosta teu rosto ao meu...
Andemos descalços beira-mar!
Deixemos que as ondas quentes do oceano
venham nossos pés beijar...
 
  Deixemos as olas nos levar...
Sejamos barco, vela e peixe
e nesse enfeixe
de algas e corais, mágoas a naufragar,
  a uma ilha seremos aportados
e aí... eternos namorados  
Esquece-te por um momento de
detalhes...
Destes por qualquer vaidade!
O batom que guardas em tua bolsa,
o pó que neste momento não cabe!
 
  Inda que a minha beleza falhe
serás o meu único detalhe...
Teu beijo enrubescido meu bâton,
e rebolando na areia, nosso leito,
de pó dourado me enfeito...
Tu, à luz da lua, brilharás como néon!
São nossas almas, minha amiga,
que flutuam em sonhos sem fins...
Encosta-te em meu peito,
vem!
Dobremos à valsa os perfumados alecrins...
 
  Dizes bem, amigo meu!
Sonhar não custa nada, sim!
Basta fechar os olhos, fazer-me fada
e aí vou eu
nesta fantasia de juntar teu alecrim 
à minha rosa perfumada... 
Ouviremos, crê, celestes  querubins
que a nossa alma alada
louvarão... ao som de clarins 
Não cabe aqui o corpo que tens
e a idade é debate vencido...
Não te esqueças que danças em alfa,
no peito fiel de um amigo!
 
  Que  corpo, meu amigo?...
Não o levo mais comigo
esse frasco já larguei
de tão gasto, dele me livrei...
Só a almiscarada essência guardei para ti! 
E a idade, esse falso manequim,
não serve mais em mim. 
Não cabe aqui tuas rugas de expressão.
Alguma celulite que queiras esconder!
Estrias e jóias são matérias vencidas...
Nossas almas dispensam qualquer ter!
 
  Amigo, espero que me entendas...
Jóias não levo,
mas não posso separar-me
do meu velho coração...
São dele as rugas que carrego,
suas sendas
as estrias que não nego...
Delas não posso apartar-me...
Espero que as afague, com amor, a tua mão.
Apenas dance comigo nesta viagem astral.
Não tem rosto este teu amigo,
não cabe aqui a matéria carnal...
 
  Dançarei contigo,
meu doce e terno amigo,
nessa dança etérea onde não cabe o mal...
Sem rosto nem matéria carnal,
apenas asas - nossa inspiração
 e um músculo - coração
Sou o teu eu!
Aquela voz que fala contigo lá de dentro.
O amigo que, por muitas vezes, esqueceste
em porões fechados e bolorentos!
 
  Sei, amigo!
Bem te conheço!
Às vezes, finjo que te esqueço
quando falas comigo
soprando-me ao ouvido, inconveniente,
as negas ao que eu acho premente.
Mas sei que me queres bem
e bastas vezes te escuto, como convém. 
Ama-me e estarás amando a ti!
Ou será que te esqueceste?
Um anjo existe para cada um...
Em outras vidas, foras tu que me escolheste!
 
  Claro que te amo, meu anjo guardião...
Perdoa quando finjo ignorar-te!
Não quero magoar-te,
mas visto ainda esta imperfeita condição:
sou vulnerável à paixão!
Se te escolhi, tem paciência, amigo
pois seguirás comigo
nesta e na seguinte encarnação.
   
José Geraldo Martinez
25 de Março/2008
Carmo Vasconcelos 
25 de Março/2008
 

 

 
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