Carmo Vasconcelos

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Com :

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

INICIAL RESPOSTA  
CDA - A BUNDA, QUE ENGRAÇADA CV -  BRINCANDO COM A “BUNDA REDUNDA 3/3/2005

 

 

BRINCANDO COM A “BUNDA REDUNDA

 

 

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA
de Carlos Drummod de Andrade


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gémeas
em rotundo meneio. Anda por
sina cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BRINCANDO COM A “BUNDA REDUNDA”
DE
Carlos Drummod de Andrade


Seios marotos
são uns garotos
para brincar
e a bunda airosa
isca gostosa
para chamar

E o peixe pisca
mordendo a isca…
Pulam os seios
na brincadeira
rebola a bunda
toda altaneira

E frente à bunda
a cova funda
ri-se dengosa…
E ao peixe oferece
a gordurinha
mais saborosa

E o peixe aquece
e em louca lida
logo ali tece
com todo o ardor
uma bebida
que a entontece

Rebunda a bunda
em seus meneios
pulam os seios
em seus enleios
sem beber nada
dessa bebida…

E a cova funda
pela calada
entontecida
em devaneios
sorve o licor
do Peixe-Amor!

Carmo Vasconcelos
3/3/2005
 

 

 

 
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