Carmo Vasconcelos

Nu

Ramon Marti Alsina

"Despida de Segredos"

pág. 4 de 9  págs

 

FICA COMIGO ESTA NOITE
Carmo Vasconcelos


Triste demais sem teu beijo
na cama rolo e bocejo
nem olho mais o ecrã
da TV – filme de amor…

Que a estória é como um açoite
que espicaça o meu desejo
e as personagens invejo
amantes num quente “élan”…

De raiva, quebro o comando!
Vem pró meu corpo, um acoite,
que a Lua nos veja amando,
fica comigo esta noite!


Carmo Vasconcelos

 

FUMO DOCE
Carmo Vasconcelos


Das cinzas amargas da alma
se evola
o fumo doce do poema!


Carmo Vasconcelos

 
 

GRAVIDEZ DO AMOR
Carmo Vasconcelos


Em meu louco coração
mil amores inseminados
não venceram a razão...
Uns morreram ao nascer
outros inda a florescer…
Drasticamente abortados,
muitos, por desilusão.

Placenta desta ilusão
é este meu coração
que entre a volúpia de um beijo
e um ilusório desejo
que o deixa embriagado,
já se julga engravidado…
E fermentada a balsa
vê que a semente era falsa.

Mas passada a noite negra
da enganosa gravidez
que o filho amado desfez…
Ainda que a dor lhe doa,
de novo todo se entrega
a uma nova paixão cega
teimando num filho à toa.

Teimoso e um pinga-amor
é este meu coração,
que nunca irá desistir
do filho eleito parir
em gravidez indolor…
Fruto dum gémeo querer
que em mágico acontecer,
o umbilical cordão
há-de romper para se unir
à minha eterna paixão!


Carmo Vasconcelos

 

MARÉ ALTERADA
Carmo Vasconcelos


Ondeio o poema
na vaga marinha…
A água é minha
a espuma Suprema.

Os versos são algas
que pesco do fundo
de areias fidalgas
no lodo imundo.

Trazem diamantes,
perlas naufragadas,
saudade de amantes
em noites molhadas.

E o mar que me galga,
maré alterada,
de versos me salga
a boca gelada!


Carmo Vasconcelos

 

MATAR SAUDADES SEM IR…
Carmo Vasconcelos


Faz tempo que te não vejo
meu amor não esquecido!
Sei onde estás e é tão perto,
basta um passo pra te ver…
Mas inerte o passo certo
do meu ser amolecido
neste querer e não querer,
traz lonjura ao meu desejo.

Porém, o meu pensamento,
rebelde, já se escapou…
Teimoso e impertinente,
do meu passo se apartou
e mais célere que o vento,
veloz e independente,
sem o meu consentimento
fugiu e a ti se abraçou.

Aquietada no medo,
tua lembrança queimando,
e o pensamento teimando
na maldade de insistir
em relembrar meu segredo…
Matei saudades sem ir,
timoneiro olhando o mar
vendo as gaivotas partir.

Barco ao cais atracado,
ancorado ao seu destino…
Só com a mente a navegar
o pensamento sem tino,
vi-me de novo a teu lado,
boca a boca, mão na mão…
Porém… no mesmo lugar,
de pés fincados no chão!


Carmo Vasconcelos

 

Livro de Visitas

 

PARA PÁG. SEGUINTE