"FÉNIX"

ETERNIZANDO O EFÉMERO

POESIA  CLÁSSICA

 

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Para as Letras da Pintura Inspirado no quadro da pintora Analua Zoé  “The Litlle Hunter”


O PEQUENO CAÇADOR
Carmo Vasconcelos


O pequeno caçador
Cala a fome entre paredes
Dum casebre sem amor
Enxerga feita de sedes

Nos seus olhinhos augados
Correm rios de inocência
Sonhos azuis deslavados
Pelas sombras da indigência

Não sabe nada da morte
Nem teorias de pecado
Esganar dois patos é sorte
Num dia abençoado

Matar é sobrevivência
Roubar é lei natural
Pra uma criança em carência
Que vive como animal

Será um homem sem lei
Essa lei que o não proteje
Dirá sempre “bem matei”
Na certeza dum hereje

Juízes não o perdoam
Nosotros o ignoramos
Que sobre nós nunca doam
Os crimes que lhe apontamos...

Vítima foi e será
Duma injusta sociedade
Que cega caminhará
Alheia à desigualdade

Até quando? Não sabemos...
Seremos surdos e cegos
Preservando os bens que temos
Vaidade de nossos egos

Enquanto frágeis crianças
Sobrevivem à má sorte
Sem fé, nem demais esperanças
Que caçadores sem norte


Carmo Vasconcelos
28/11/2007

ORAÇÃO À VIRGEM
(Sextilhas)
Carmo Vasconcelos


Senhora, de alva tez com olhos d’água,
Suplicamos a vós, lavai da mágoa
Este mundo que sofre em provação…
Resguarda-nos em teu manto de amor,
Preserva de teus filhos toda a dor,
Ave Mãe! Te imploramos protecção!

Por todos nomes que usas te invocamos,
E aos teus sagrados pés nos arrojamos
Virgem Santa, Maria ou Conceição…
De Fátima, de Lourdes, ou do Mundo,
Escuta nossas preces, do mais fundo
Amargor que nos fere o coração!

E de nossos pecados nos perdoa,
Tira de nós a angústia que magoa,
Despe-nos de vingança e desamor…
Inunda-nos com vosso olhar de luz,
E intercede por nós junto a Jesus,
Pra que o Mundo renasça em Seu esplendor!


Carmo Vasconcelos
Dezº/o8/2010

Dia de Imaculada Conceição Padroeira de Portugal

PALHAÇOS
Carmo Vasconcelos


Palhaços temos de ser
nesta comédia encenada
onde a vida é uma charada
difícil de resolver

E se a rir representamos
no palco da existência
a sós, voltamos à essência
das mágoas que ocultamos

Lágrimas lavam as cores
dessa máscara que usamos
mas de novo nos pintamos
de alegres não sofredores

Porém, os olhos não mentem
são da alma as janelas...
e uma vida sem estrelas
não há risos que sustentem


Carmo Vasconcelos
Agosto/2008

POEMAS EM TEMPO DE GUERRA
HOJE COMO ONTEM...
Carmo Vasconcelos


Hoje os rios correm vermelhados de vergonha,
Plúmbeos os céus, envergam traje de ímpar dor,
Na atmosfera gaseifica-se o estertor,
Poeira de sangue sem limite que se oponha.

É uma barbárie turbulenta que regressa,
A insanidade da feroz Roma de Nero,
A arena ignóbil do bestial exemplo fero,
A demoníaca loucura, vã, pregressa.

Qual a que à morte condenou natos varões,
Pra aniquilar a voz do Cristo Redentor,
Chegado ao Mundo pra pregar a paz e o amor,
Mote enjeitado por Herodes e vilões.

A mesma que, ímpia, conduziu à Inquisição,
Injustamente, os desafectos, fés avessas,
E fez rolar na guilhotina essas cabeças,
Sem vacilar um só momento em compaixão.

Hoje, motivos e razões bem divergentes,
Vestem a Guerra igual, no sangue mergulhada,
E capitula a Paz, às mãos da malfadada
Carnificina que dizima os inocentes.

Novo Dilúvio venha à Terra! E que extermine
Os vis demónios que a ambição trazem aos pés,
E nos devolva o Mundo, tal o que Deus fez,
Um Mundo Novo que a violência recrimine!


Carmo Vasconcelos
07/Janº/2009

POESIA – BRUXA OU FADA?
Carmo Vasconcelos


Não sei se a poesia é bruxa ou se é fada
Que nos seduz, e a mim deixa embriagada,
No verso dum poeta fingidor...
Só sei que é um feitiço de ilusão
Que nos faz crer em réplicas d'amor;
E mesmo sem promessa confirmada,
Rodopiam na memória alucinada
E fazem cavalgar o coração!


Carmo Vasconcelos
15/Agosto/2008

 

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