"FÉNIX"

ETERNIZANDO O EFÉMERO

POESIA  CLÁSSICA

 

pág. 7 de 12 págs

 
 

FOGO PRESO
Carmo Vasconcelos


Tenho um poema preso na garganta
Como uma espinha aguda atravessada…
Pla mágoa que inda bebo, que não pouca,
Traz ressaca de gelo à minha boca,
Hirta a língua pla verve não largada.
Porém, se desmedida, se agiganta
Em fogo a dor, no gelo é desmanchada,
E liquefeito o mote, sem sentido,
Vai-se a dor, e o poema é engolido.


Carmo Vasconcelos
Setº/13/2010

IMITAÇÃO DE CRISTO
Carmo Vasconcelos


Meu grande amor elevo ao altar angelical,
Por entre círios complacentes ao pecado,
Onde o sentir ajoelha, humilde e despojado,
Em oração plo desapego do carnal.

Quão transitório se afigura o amor terreno,
Amiúde eivado de fantasmas e castigos,
Onde, pla posse, nascem ciúmes inimigos,
Em negação do vero Amor, Divino e pleno.

À fé me curvo, quando rezo, irmão amado,
Por tua gloriosa senda e digna evolução,
Sem que na mente albergue díspar ambição,
Senão saber-te em paz e luz harmonizado

No puro amor que tudo cede e nada exige,
À semelhança do Deus-Pai que nada pede
Pla Natureza que gerou e nos concede,
Para que nela cada ser se regozije.

Essa a missão que o Redentor preconizou:
Regozijar-me tão-somente porque existes,
Irmão, no puro ideal cristão em que persistes:
Amar ao próximo, tal qual Jesus amou!


Carmo Vasconcelos
Agosto/2008

INUTILMENTE...
Carmo Vasconcelos


Permite agora, amor vadio, que te confesse
Que a tal razão de nostalgia, eu descobri
Faz muito tempo... Mas, calada, me omiti
Pra não ferir-te na memória que entristece.

Inutilmente buscarás plo mar adiante,
Essa lacuna suprimir, qual viva chaga,
Porque, insarável, repudia a mão que a afaga,
E eterno ardor te queimará em dor constante.

Por muito que andes, buscador de poiso e rumo,
Aventureiro anestesiado de prazer
Nos colos vários, e fugazes, de mulher,
Há-de seguir-te essa carência envolta em fumo.

Que a terna mão, omnipresente, alabastrina,
E o colo mater, protector e aconchegante,
Por ti escolhidos no regresso d’alma errante...
Te abandonaram, nessa infância peregrina!


Carmo Vasconcelos
12 /Janº/2010

INVERNIA
Carmo Vasconcelos


Os versos travessos que lanças ao chão
Rolam em tapetes verde-seco
Buscando a ilusão de florescerem
Adubados de novos afectos

Mas são voláteis os adubos esperados
E as auroras alegremente ensolaradas
Que antes os germinavam de calor
Não irrromperam neste Verão

Foram-se os climas certos e fiéis
E com eles migrou a ave devota
Que cantava ternamente a sementeira
Coberta agora de penas de asa rota

Petrificou a água que os versos regaria
Letárgica nos sulcos abertos ao redor
Deixando a amarelar o verde-seco
Tapete inútil para um poeta em Invernia


Carmo Vasconcelos
13/07/2007

LIBERTAÇÃO
(Sextilhas)
Carmo Vasconcelos


De novo em mim a diáfana leveza
O peito arfante aberto à natureza
Liberto das grilhetas da paixão…
O pensamento fresco e fluido
Lavado, transparente e receptivo
Navegando ao sabor da correnteza

Da turvação dos olhos te arranquei
Da mente nublada exterminei
Tumor libidinoso e perverso…
Mal nascido de veneno de flor
Me embriagou com pétalas de amor
Que aspirei no hálito dum verso

Dessa radiografia imaginada
Sobrou agora a foto bem tirada
Que não valeu o flash de uma hora…
E a medalha ao meu peito pendurada
Em corrente de sonho deslaçada
Com dedos de indiferença deitei fora!

Carmo Vasconcelos

 

Livro de Visitas

 

PARA PÁG. SEGUINTE