"FÉNIX"

ETERNIZANDO O EFÉMERO

POESIA  CLÁSSICA

 

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DIÁLOGOS
Carmo Vasconcelos


Deus nunca esquece de juntar a quem
semelhantes ideais assaltam o imo,
razão que da tua voz eu me aproximo
e tu te achegas à minha também.

Num bailado de sonho embriagador,
nesse encontro vocal dança a gramática,
que nos faz esquecer da problemática,
quando por trás do riso existe a dor.

Sem interrogações ou reticências,
amo-te, livre de razões ou siso,
vivendo nessa ligação sem juízo,
morrendo, doce amor, nas tuas ausências!


Carmo Vasconcelos
26/Outº/2011

DIVAGAÇÕES
Carmo Vasconcelos


Vinho quente, sangue de vida, coração
Um tango, pele suando cheiros de desejo
Uns olhos de âmbar nos meus negros de paixão
Em frenesim as mãos amadas que cortejo


Carmo Vasconcelos
Fevº/2008

DIVERGE, MINHA PENA!
Carmo Vasconcelos


Diverge, minha pena, por favor!
Dá-me outro mote, outra empatia
Não quero mais poetar sobre o amor
Porque insistes, à minha revelia?...

Será que tu estás apaixonada?...
- Quem é, me diz! O tal, o teu eleito
Que põe a minha mão, desordenada
A elaborar um poema contrafeito?

Aos leitores, a mim, e a todo o mundo
P’lo gesto que nos liga, vai, confessa!
Que é teu, e só teu, esse “élan” profundo
Não meu – que a tais balelas sou avessa!

Assume, minha pena, teus amores!
Que fiquem a saber que eu não me prendo
A elos fatais, avassaladores
E que essa obsessão nem a pretendo

Se persistes... Te cedo a minha mão
Que és muito louca e já não te domino...
Mas desde já te chamo a atenção
Eu escrevo... Mas por ti o feito assino!


Carmo Vasconcelos
17/Agosto/2008

DO PAGADOR DE PROMESSAS…
Carmo Vasconcelos


Tu nada me prometeste…
E eu nada te prometi!
De lembrar-mo não esqueceste,
do binómio não esqueci.

Que tinhas pra prometer
se nada tens para dar?...
Rio que não pode correr
não se abalança pró mar!

Promessas fazes, jamais,
nas aventuras corridas,
mas ilusões magistrais
espalhas no ar – sugeridas.

Por que haveria de supor
que tal promessa existia?...
Se te conheço… És d’amor,
uma vasilha vazia.

E por que iria prometer-te
alguma coisa, também?...
Se pra além de não querer-te,
do passado lembro bem.

Não volta às curvas da rota
quem tem dois dedos de testa,
de contrário, vira idiota
na loucura manifesta.

Se nada me prometeste
e eu nada te prometi…
Tu sem mim, nada perdeste
e eu sem ti, nada perdi!

E levas a cruz às costas,
no resgate que carece
quem induz falsas apostas
e a sorte tem que merece!

Encerra-se a peça em glória,
sem ninguém a pedir meças
aos actores desta estória
“do pagador de promessas”!


Carmo Vasconcelos
Março/14/2011

“Por acaso o cão que, após longos esforços, logra por fim escapar, não leva quase sempre consigo um pedaço da sua corrente? ”

(Pérsio)



ELOS, CADEIAS, FEITIÇOS...
Carmo Vasconcelos


Existem certos momentos
Em que tudo se conjuga
Pra nos levar em lamentos
A buscarmos uma fuga

Nada resolve fugir
Pois por caminhos que andemos
As dores que ansiamos banir
Connosco as levaremos

Elas agarram-se à pele
Como réptil pegadiço
Ou tinta que num papel
Grava um amor de feitiço

Seguem-nos eternamente
Como ao cão que em liberdade
Leva elos da corrente
Que o prendeu sem piedade

Façamos pois aguarelas
D’elos, cadeias, feitiços
Sejamos pombas nas telas
Que exorcizam os enguiços


Carmo Vasconcelos
16/Junho/2009

 

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