Carmo Vasconcelos

ROMPENDO AMARRAS

POESIA LIVRE

por

Carmo Vasconcelos

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Achille Beltrame

Figura Dormindo

SOLIDÃO
Carmo Vasconcelos

Ave sem ninho,
flor sem chuva,
boca sem beijo,
útero estéril…

Como dourar
tua solidão enegrecida?

Carmo Vasconcelos

SUPLIQUEMOS
Carmo Vasconcelos

Supliquemos

Um eclipse
da ignorância que nos cerca.
Um ciclone
que devaste a injustiça que campeia.
O vómito de um vulcão
que soterre o desamor que prevalece.
Um sismo
que abale as estruturas de conveniência!

E que essa convergência
de forças obscuras e renovadoras,
faça emergir um novo mundo,
onde cada um de nós
seja uma estrela
depuradora de escórias,
difusora
da magnanimidade do Universo!

Carmo Vasconcelos

 

TEUS BEIJOS
Carmo Vasconcelos

Traços de giz
numa ardósia solitária...

Gotas de bálsamo
em boca gretada...

Pétalas de papoila
numa pedra de calçada...

São teus beijos
na minha boca abandonada!

Carmo Vasconcelos

 

TRANSCENDÊNCIA
Carmo Vasconcelos

Dormes…
Imóvel vagueias
por fluidos insondáveis...
Nem sabes
que transpões os limites da matéria.
Não tens corpo,
apenas olhos que se dilatam
numa visão circular.

As árvores são azuis,
os mares concêntricos,
as flores pairam,
e toda a geometria é redonda.
Não tens peso nem células,
mutações ou desordens.
Flutuas...

Mas… no regresso inevitável
pesam-te os códigos indecifráveis,
a transcendência das incógnitas…

E, na tentativa absurda
de desvendares o segredo,
renegas a vigília
e lanças-te no sono eterno!

Carmo Vasconcelos

 

TRANSIÇÃO
Carmo Vasconcelos

Sobre o teu corpo hirto
na algidez da morte,
paira,
entre confusa e liberta,
a tua alma.

Na iminência
do desligamento inevitável,
seus braços fúlgidos
alongam-se e retraem-se, indecisos,
entre a premência da partida
e o apego à tua imagem.

Assustadora se lhe afigura
a cisão do fio etéreo
rente ao umbigo da materialidade.

Dolorosa,
a separação irreversível
de ti, corpo,
veículo de sensações terrenas,
instrumento da mente e da carne.

Gera-se, recíproca,
a dificuldade do rompimento
ante os lamentos aprisionantes
das carpideiras.

Diz-lhes que calem os prantos!
Para que a tua alma
regresse em paz
à casa do PAI!

Carmo Vasconcelos

 

TUA SOMBRA
Carmo Vasconcelos

Pedra de toque,
relíquia negra
a mim roubada...

Estrela polar...
Paixão eterna...

Rosa dos ventos
desgovernada...

É tua sombra
quem me governa!

Carmo Vasconcelos

 

UNIÃO
Carmo Vasconcelos

Musgo
agarrado à pedra...

Tentáculo
preso à rocha...

Pez
colado ao tronco...

Vício
que nos domina…

É este o amor
que me escraviza
e me fascina!

Carmo Vasconcelos

 

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