CARMO VASCONCELOS

"FÉNIX"

POESIA DEDICADA E ACRÓSTICOS

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Feliz Aniversário, Matilde!


Sejam teus dias floridos
como castas margaridas,
rubros de amor como rosas...
De venturas preenchidos,
de bênçãos atapetados,
de sucessos perfumados,
e de dádivas ditosas.
E que do Alto recebas
todos os bens que concebas
pra sentir-te amada e querida.
Paz, Amor e Harmonia,
sejam doce sinfonia
em hino a jorrar dos céus,
presentes da Divindade ...
Te augurando a Felicidade
de seres amada por Deus
e a fazer-te amar a Vida!

(A pedido da Lina e do Carlos para
a nora Matilde
2012

  Carmo Vasconcelos

 

DOCE COMPANHIA
(Ao meu neto Diogo)
Carmo Vasconcelos


É tão gostoso este viver em madureza,
quando as bênçãos se mostram mais do que os cuidados,
ao partilhar a ingenuidade e singeleza
duma criança sem maldade e sem pecados.

É Diogo o nome do meu neto-maravilha!
Nove anos tem de brincadeiras buliçosas.
Nos olhos seus, dum Mundo Novo vejo a trilha
que há-de levar a mil conquistas vitoriosas.

Muito insistente, chama-me a horas não propícias,
pra ver um jogo ou uma leitura acompanhar,
e eu logo acedo a partilhar essas delícias,
que é breve o tempo que terei para as gozar.

Com que ternura ele entrelaça a mão na minha,
que ingenuidade nas perguntas mais que ansiosas…
Tal qual saltitos de curiosa columbinha
que pousa firme nas ramadas mais idosas.

Que bom eu ser o ramo velho em que acredita,
o riacho sábio onde a resposta pronta aflora,
o solo amado onde a ternura sempre habita,
seu lar primeiro, onde o alvo berço inda cá mora.

Decorre o dia com mil tarefas, brincadeiras,
velhos conselhos que sua mente desconhece,
tudo de gosto, uma labuta sem canseiras,
que uma criança, de Deus é rica benesse.

E vinda a noite, o livro inerte, abandonado,
ganha, por fim, seu momento áureo de atenção,
e lido a dois, estória ou estudo comprovado,
é riso e encanto aprisionado ao coração.

E se os olhitos já lhe piscam sonolentos,
guio-lhe a mãozita ao divinal sinal da cruz,
e o sono abeira-se entre afagos ternurentos
e uma já débil oração feita a Jesus!

26/Agosto/2008

  Carmo Vasconcelos

 

ALQUIMIA MATERNAL
Aos meus filhos
Carmo Vasconcelos


Meu filho!
Quando, firmado no teu orgulho,
me dizes “Deixa-me só!”
e me fechas a porta dos segredos…
Não sabes
que do teu íntimo me chamas
e eu fico vigiando,
atenta ao teu velado pedido de socorro.

E quando, revoltado,
olhos faiscantes, gestos desmedidos,
lanças ao ar impropérios
e eu faço que não ouço e te desculpo…
Não sabes
que aprendi há muito
a traduzir os teus desmandos
pelo livro de ouro que só as mães conhecem,
e ele me ensinou que estás sofrendo.

Quando pareces odiar-me
por eu não ter a chave mágica que abre todas as portas
e me dizes “Mete-te na tua vida!”…
Não sabes
que a tua vida é um rebento da minha própria vida,
que ambas se alimentam da mesma seiva,
e que se um ramo sofre,
toda a árvore sangra.

Quando sentes à flor da pele
as tuas ambições frustradas
por não abarcares nos teus verdes anos
tudo o que o velho mundo foi juntando aos poucos…
Também não sabes
que as tuas frustrações me doem
como um sonho próprio desmoronado…
E até a chaga
do amor que julgas ter-te abandonado,
lateja na minha carne como um espinho
cravado por um amante perdido.

E quando te assediam teus desgostos,
que julgas os maiores sobre os mortais,
e que não são, afinal, mais do que meros obstáculos
na tua corrida precoce em busca do sucesso imediato…
Também não sabes
que as tuas mágoas doem em mim
como renovadas dores de parto,
que anseiam fazer-te renascer,
homem-novo
para a beleza das coisas simples.

Meu filho!
Quando sofres,
o mundo desaba ao meu redor…
Quando desejas morrer,
eu começo a morrer antes de ti…
E quando a tua solidez se desfaz em lágrimas,
elas caem sobre mim como um dilúvio.

Mas…
Numa alquimia maternal,
tirada do tal livro de ouro que só as mães conhecem,
o dilúvio transforma-se em riachos de sorrisos
que encaminho para ti,
pondo em suas águas a mensagem
de que as tuas dores,
feitas tempestade,
são apenas gotas de chuva
numa Primavera que mal acaba de chegar!

Lisboa/Portugal/

  Carmo Vasconcelos

ESTRELA-GUIA
(Aos meus filhos)
Carmo Vasconcelos

Quando um dia, filhos meus, eu vos deixar,
Não chorem por meu corpo já cansado,
Que já não pode ter-vos ao cuidado,
Se é tempo de partir e descansar.

Revejam-me no céu, já estrela-guia,
Que do alto vos protege e por vós zela,
Seguindo vossos passos, sentinela,
A adoçar-vos a mágoa que angustia.

Espalhem minhas cinzas pelo mar,
Que sempre vossos pés virei beijar,
Em ondas segredantes de carinho.

E em seus murmúrios, hão-de ouvir, baixinho,
Vindo da profundeza dos corais,
Que zelo e amor de mãe são imortais!

Lisboa/Portugal
24/Janº/2011

  Carmo Vasconcelos

 

Livro de Visitas

 

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